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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Pablo Giovani


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Vasco vence o coritiba por 1a0 e esta a um empate do Titulo da Copa do Brasil

por GLOBOESPORTE.COM

Depois de passar três jogos sem conseguir vencer em seus domínios pela Copa do Brasil - contra Náutico (0 a 0), Atlético-PR (1 a 1) e Avaí (1 a 1) -, o Vasco finalmente fez o dever de casa. E no melhor momento possível. Na noite desta quarta-feira, em São Januário, o time venceu o Coritiba por 1 a 0 no primeiro jogo da final da Copa do Brasil (assista ao gol no vídeo ao lado). Com muitas dificuldades para controlar a afobação e o nervosismo no primeiro tempo, o time comandado por Ricardo Gomes contou com um gol de Alecsandro para sair na frente na finalíssima.

Agora, o Vasco precisa de um empate no jogo de volta, quarta-feira que vem, no Couto Pereira, em Curitiba, às 21h50m (de Brasília), para conquistar o título inédito e voltar à Taça Libertadores. Depois de atingir nesta temporada a maior sequência de vitórias na história do futebol brasileiro (24), o Coxa caiu de produção depois da goleada de 6 a 0 sobre o Palmeiras e agora terá de reencontrar o seu melhor jogo para vencer por dois gols de diferença e dar a volta olímpica que também seria inédita. O seu estádio lotado é uma das apostas para a virada, e a pressão nos minutos finais do jogo no Rio pode ter sido um bom sinal. A equipe alviverde não vence há quatro partidas: Palmeiras (2 a 0), Atlético-GO (1 a 0), Corinthians (2 a 1) e Vasco.

Antes, os dois times, provavelmente com reservas, se enfrentam no fim de semana pelo Campeonato Brasileiro, domingo, às 16h (de Brasília), também no Couto Pereira.

vasco x coritiba alecsandro gol (Foto: Marcelo de Jesus/Globoesporte.com)Alecsandro comemora o gol homenagenado o pai, Lela (Foto: Marcelo de Jesus/Globoesporte.com)

A euforia vista em São Januário lembrou os jogos da Libertadores de 1998, quando o Vasco fez do estádio o seu caldeirão para conquistar o título. O folclórico torcedor Mister M, presente em todas as partidas daquela conquista, voltou com força total e ganhou a companhia de um torcedor fantasiado de Elvis Presley, com direito a guitarra e afins. A presença das belas gêmeas do nado sincronizado, Bia e Branca Feres; do ídolo Geovani; do ator Rodrigo Hilbert; do velejador paraolímpico Lars Grael; ex-zagueiro Odvan; e do ex-BBB Kadu formava uma imensa panela de pressão num dia diferente. Afinal, depois de alguns anos, o Vasco estava de novo numa final importante.

Mas, antes do duelo, os velhos problemas do futebol brasileiro. O ônibus do Coritiba foi alvejado por uma pedra na chegada da delegação a São Januário. Ninguém ficou ferido, e a polícia não conseguiu prender o responsável pela agressão. A entrada dos torcedores também foi bastante confusa nos portões 18 e 5. Além disso, a quantidade de ingressos falsos foi grande. Vários torcedores foram impedidos de entrar. Um funcionário usava alto-falante para alertar o público do problema.

Muita tensão no ar

Com os nervos à flor da pele, os dois times começaram o jogo abusando das faltas e dos passes errados. Qualquer marcação da arbitragem gerava protestos e palavrões dos mais pesados. Ansiosa, a torcida do Vasco colocava uma forte energia em campo. E um dos únicos que conseguia absorver essa força no início era Felipe, que usou toda a sua experiência para colocar a bola no chão e fazer o time respirar. O meia vascaíno tabelava com facilidade e fazia o time rodar. Já pelo lado do Coritiba, a afobação se traduzia em muitos chutões que a zaga do Vasco conseguia anular. Às vezes, com dificuldade.

vasco x coritiba felipe (Foto: Luis Alvarenga / Globo )Abusando da experiência, Felipe comandou o time do Vasco em campo (Foto: Luis Alvarenga / Globo )

Fernando Prass teve que trabalhar em chute de Bill, e o Vasco deu o troco em bela jogada de Diego Souza, que costurou adversários dentro da área antes de bater para o salto de Edson Bastos. Aos poucos, o camisa 10 passou a chamar a responsabilidade e dar as conhecidas arrancadas. O Coritiba melhorou a partir do momento que Anderson Aquino passou a tocar mais na bola e tranquilizar o time, enquanto Bill incomodava os zagueiros vascaínos com muita luta, e Rafinha corria sem parar. O time paranaense aproveitava os espaços dados pelos donos da casa e, a partir dos 35 minutos até o primeiro tempo, passou a ter mais a bola no pé. Organizado, o Coxa trocou vários passes e quase marcou no fim do primeiro tempo, mas Bill não alcançou o cruzamento de Jonas.

Afobação, o principal problema dos dois times

Na saída para o intervalo, um jogador de cada lado apontou a afobação como responsável pelo empate parcial sem gols.

- O que não podemos é nos afobar. Temos de colocar a bola no chão - destacou Diego Souza, que teve a opinião compartilhada por Davi, do Coxa.

- Estamos muito afobados. Roubamos a bola na defesa e queremos sair de qualquer jeito. Assim não dá.

Gol de Alecsandro e homenagem ao pai

As palavras de Diego Souza foram ouvidas e compreendidas pelo time. Tanto que, logo aos cinco minutos, Diego, com tranquilidade, recebeu na intermediária e acionou Allan. O volante, que joga improvisado, mostrou talento dos grandes laterais ao cruzar na cabeça de Alecsandro, que fez com perfeição o seu dever de ofício: testou para o chão e abriu o placar para o Vasco: 1 a 0 e explosão na Colina. Na comemoração, Alecsandro homenageou o pai, Lela, e fez a careta, marca registrada do ex-atacante que, curiosamente, integrou o time do Coritiba campeão brasileiro em 1985.

O Coxa não sentiu o gol e criou duas boas chances em sequência. Na segunda, a mais perigosa delas, Fernando Prass teve que fazer defesa difícil após chute de Bill. Mas, aos poucos, as duas equipes passaram a sentir o desgaste, fruto do ritmo alucinante do primeiro tempo.

Pressão do Coxa no final

Bernando ainda ameaçou em cobrança de falta por cima do gol, e os visitantes arriscaram vários ataques rápidos que deixaram os vascaínos de cabelo em pé. A pressão foi muito grande, e aos 47 a bola quase entrou em conclusão de Emerson. Mas o time da Colina controlou os nervos para abrir vantagem na decisão. Agora é tudo ou nada no Couto Pereira.

VASCO 1 X 0 CORITIBA
Fernando Prass, Allan, Dedé, Anderson, Márcio Careca; Rômulo, Eduardo Costa, Felipe (Felipe Bastos), Bernardo e Diego Souza; Alecsandro (Elton). Edson Bastos, Jonas, Emerson, Demerson e Lucas Mendes; Willian, Léo Gago, Rafinha e Davi (Geraldo); Anderson Aquino (Marcos Paulo) e Bill (Leonardo).
Técnico: Ricardo Gomes Técnico: Marcelo Oliveira
Gols: Alecsandro, aos 5 minutos do segundo tempo
Público pagante: 17.922. Público presente: 21.365. Renda: R$ 756.765
Cartões amarelos: Anderson Aquino (Coritiba)
Local: São Januário, Rio de Janeiro. Data: 01/06/2011. Árbitro: Paulo Cesar Oliveira (SP-FIFA). Auxiliares: Carlos Berkenbrock (SC-FIFA) e Marcelo Carvalho Van Gasse (SP-FIFA).

Santos empata e vai pra final da Libertadores

Gol contra, defesas de Rafael, expulsão de Dracena. Peixe sai na frente, leva empate, sofre pressão, mas garante vaga na decisão da Libertadores

A final chegou! Os Meninos da Vila, comandados por Neymar, estão na decisão da Taça Libertadores. A vaga veio depois de muito sofrimento, num empate em 3 a 3 com o Cerro Porteño-PAR, nesta quarta-feira, em Assunção. Mas, enfim, é a chance de conquistar a competição mais cobiçada do continente, oito anos depois. Em 2003, o time de Diego e Robinho perdeu o título para o Boca Juniors. Agora, Neymar e seus "parças" tentarão levar o Alvinegro ao tão esperado tricampeonato continental - os dois primeiros foram em 1962 e 63, com Pelé em campo.

Mas para que a vaga viesse foi necessário sofrer muito. O anfitrião, apoiado por 25 mil torcedores incansáveis que lotaram o estádio General Pablo Rojas, fez trapalhadas e deu chances ao Peixe. O time da Vila Belmiro terminou o primeiro tempo vencendo por 3 a 1, uma vantagem que parecia bem confortável. Ilusão. A reação paraguaia na etapa final foi exemplar, mas insuficiente. O Alvinegro impediu a virada com sorte, competência, talento de Neymar e muita qualidade do goleiro Rafael. O Cerro teve seu esforço reconhecido: foi aplaudido ao fim da partida. O empate foi suficiente porque o Santos havia vencido o jogo de ida, no Pacaembu, quarta-feira retrasada, por 1 a 0.

O adversário santista na decisão sai do confronto entre Peñarol e Vélez Sarsfield, que fazem o jogo da volta nesta quinta-feira, às 21h50m (de Brasília), no estádio José Amalfitani, em Buenos Aires. A equipe uruguaia, que venceu a primeira partida por 1 a 0, no Centenário, joga com a vantagem do empate. O time argentino precisa vencer por diferença de dois gols, e o placar de 1 a 0 a seu favor levará a decisão da vaga para os pênaltis. Independentemente do adversário, o Peixe tem o direto de jogar a segunda partida em casa porque teve melhor campanha que as duas equipes na fase de gruupos. As finais estão previstas para os dias 15 e 22 de junho.

Para a decisão, a Conmebol exige um estádio com capacidade de, no mínimo, 40 mil lugares, o que descarta a Vila Belmiro. O duelo decisivo pode ser no Pacaembu, onde o Peixe já jogou agumas vezes nesta temporada, ou no Morumbi, onde o time decidiu a Libertadores de 2003.

Sorte e competência ao Santos

Talvez nem o mais otimista dos santistas pudesse prever um primeiro tempo como o desta quarta-feira. Um gol rápido, que esmoreceu o Cerro Porteño. Um gol de Zé Eduardo. Ele mesmo, criticado nas últimas partidas, completou cruzamento de Elano e acabou com um jejum de 14 jogos: dez pela Taça Libertadores e quatro pelo Paulista.

ze eduardo love santos x cerro porteño (Foto: Agência Reuters)Jogadores comemoram o gol de Zé Love, o primeiro do Santos na partida (Foto: Agência Reuters)

A torcida azulgrana, que fez uma linda festa antes do início da partida, murchou. O otimismo paraguaio foi por terra logo aos dois minutos. Sorte do Santos. Superior tecnicamente, o time alvinegro passou a ter campo para jogar. O Cerro se abriu. Havia um enorme espaço entre os meias e a zaga da equipe de Assunção. Por ali, Danilo e Arouca circulavam livres.

Neymar, até então, não havia acertado lances. Trocava de posições com Zé Eduardo, mas ainda não havia conseguido uma jogada mais incisiva. O Cerro foi para o abafa. O técnico Leonardo Astrada mexeu com apenas dez minutos. Sacou Torres para a entrada do meia argentino Iturbe, lançando o time à frente.

De repente, um chutão. Edu Dracena mandou a bola para cima para afastar o perigo. Não tinha a menor intenção de armar alguma coisa. Só que ela pingou à frente de Neymar. Antes do atacante alcançar, Pedro Benítez tocou de cabeça para o goleiro Barreto. Era só encaixar, mas o camisa 1, numa espanada bisonha, mandou a bola para dentro da sua própria meta. 2 a 0. Agora, o Cerro precisaria de quatro gols. E o goleiro foi anotado na súmula como o autor do gol.

A situação do Peixe era confortável. A do Cerro, desesperadora. Mas um sopro de esperança percorreu as lotadas arquibancadas da Olla Azulgrana, como o estádio do Cerro é conhecido, quando Iturbe cobrou escanteio para César Benítez escorar de cabeça, sozinho. A zaga santista ficou olhando. Neste momento, o estádio "explodiu":

- Si, se puede (sim, é possível)!

Astrada, então, foi para o tudo ou nada. Tirou o volante Burgos e colocou o atacante Lucero. Uma mudança suicida. Abriu-se um imenso buraco atrás da linha média paraguaia. Foi nesse espaço vazio que Arouca arrancou livre para armar a jogada do terceiro gol, marcado por Neymar. Nesse momento, a vaga santista na final da Libertadores era questão de tempo. De 45 minutos e mais os acréscimos.

 santos x cerro porteño neymar (Foto: EFE)Neymar marca e comemora. A vaga santista na final estava ficando encaminhada (Foto: EFE)

Pressão: não podia ser tão fácil

Era natural que o Cerro Porteño voltasse para o segundo tempo em cima do Santos. O que não foi normal foi a forma como o Peixe aceitou a pressão. Abusando dos chutões, o time da Vila Belmiro não conseguia acertar dois passes seguidos para sair de trás. O domínio paraguaio logo resultaria em gol, marcado por Lucero.

O jogo da equipe paraguaia se concentrava do lado direito, em cima de Alex Sandro. Havia muito espaço para o contra-ataque santista. O que não havia era qualidade no passe nas saídas de bola. Neymar e Zé Eduardo, longe demais um do outro, não se encontravam em campo. Assim, era Cerro em cima. Cruzamentos na área santista. Um atrás do outro. E o Peixe se segurando.

Para tentar aumentar o poder de marcação de sua equipe e roubar alguma bola no meio, Muricy Ramalho tirou Elano, que já não conseguia armar nada, e colocou Possebon. Em seguida, substituiu Zé Eduardo por Maikon Leite. A estratégia era clara: roubar a bola e explorar os dois velozes jogadores de frente.

A mudança melhorou a marcação santista, mas acabou com o poder de armação de jogadas. Muricy acreditava que Arouca pudesse sair de trás com a bola dominada, como no lance do terceiro gol. O volante, porém, foi mais um a ficar lá atrás, rebatendo bolas. Neymar e Maikon, sozinhos na frente, só viam a bola de longe. Virou um treino de ataque contra a defesa. Faltava ao Cerro, porém, mais qualidade nas conclusões. Quando o time paraguaio conseguiu invadir a área santista, Rafael apareceu. Aos 33, num lance crucial, ele salvou um chute de Cáceres, dividindo a jogada com o adversário usando a mão esquerda. Jogada corajosa.

A pressão era tanta que a defesa alvinegra sucumbiu aos 36. Como entrar na área adversária estava difícil, Fabbro recebeu na meia esquerda, livrou-se de dois marcadores e mandou a bomba certeira de fora. Um golaço! A vantagem do Peixe ainda era enorme, mas foi um baque. Desde que Muricy Ramalho assumiu o comando da equipe, há 15 partidas, o time ainda não havia sofrido sequer dois gols num jogo só.

Virou drama. Jogo de Libertadores. No momento em que o Santos tentava o desafogo, cavando uma falta na entrada da área, Muricy caiu no chão após ser atingido na cabeça por um objeto. Ele chegou a se ajoelhar por causa da dor e precisou de gelo no local. Faltavam dois gols para o Cerro. Cabia ao Peixe segurar os paraguaios. Para aumentar ainda mais a carga dramática do jogo, Neymar ainda acertou a trave na cobrança dessa falta.

Mas o Cerro devolveu carimbando o travessão aos 48, com Cáceres, pouco depois de Neymar finalizar nas mãos de Barreto. O jogo foi quente até os últimos segundos. Edu Dracena ainda foi expulso. E Rafael, no minuto final, segurou o último chute de Fabbro. Ufa! Apito final e a vaga garantida.

CERRO PORTEÑO-PAR 3 X 3 SANTOS
Barreto, Piris, Uglessich, Pedro Benítez e César Benítez; Cáceres, Júlio dos Santos, Burgos (Juan Lucero) e Ivan Torres (Iturbe); Fabbro e Bareiro (Nani) Rafael, Jonathan (Pará), Edu Dracena, Durval e Alex Sandro; Adriano, Arouca, Danilo e Elano (Possebon); Neymar e Zé Eduardo (Maikon Leite)
Técnico: Leonardo Astrada Técnico: Muricy Ramalho
Gols: Zé Eduardo, aos dois minutos, Barreto (contra), aos 27, César Benítez, aos 31, e Neymar, aos 46 minutos do primeiro tempo. Juan Lucero, aos 15 minutos, e Fabbro, aos 36 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Iturbe, Uglessich (Cerro); Alex Sandro, Jonathan, Elano, Rafael e Edu Dracena (Santos)
Vermelho: Edu Dracena
Local: Estádio , General Pablo
Rojas em Assunção (PAR). Data: 1/6/2011. Árbitro: Wilmar Roldán (COL). Auxiliares: Abrahan González e Eduardo Diaz (COL).


Fonte: Globoesporte.com

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Santos vence o Cerro e esta a um empate da grande final

Não foi de goleada. Muito menos por uma margem de gols que garantisse uma certa tranquilidade para a volta. Foi só de 1 a 0, um gol sofrido, de Edu Dracena, em jogada genial construída por Neymar. Mas é Taça Libertadores, semifinal, e, como sustentou o técnico Muricy Ramalho durante toda a semana, o importante era vencer o Cerro Porteño-PAR sem levar gols. Conseguiu. Agora, o Alvinegro está a um empate da final da competição continental. O jogo de volta será quarta que vem, às 21h50m (horário de Brasília), em Assunção, no Paraguai. Até houve chances para mais gols. Principalmente no último lance da partida, quando Alan Patrick, dentro da pequena área, sozinho, jogou nas pernas do goleiro Barreto. Os alvinegros esperam que, no fim, esse desperdício não faça falta.

Sorte de quem tem Neymar

O ambiente era o melhor possível. Pacaembu lotado de torcedores otimistas, Robinho aparecendo para assistir ao duelo e dar uma força, Neymar querendo jogo. Só que o Cerro Porteño não veio a São Paulo para ser coadjuvante de um show santista. Marcando implacavelmente as saídas de bola do Peixe, os paraguaios prenderam os anfitriões no meio-campo.

O Santos sentia demais a falta de um armador. Sem Ganso, machucado, Muricy Ramalho achou melhor deixar Alan Patrick no banco. Apostou em Elano para armar jogadas. O problema é que o camisa 8, preso no meio de uma multidão de camisas vermelhas, não conseguia prender a bola na frente, muito menos dar sequência nas jogadas. O lado direito da defesa santista passou apuros, com lances equivocados de Pará, que jogou no lugar de Jonathan, lesionado. O técnico do Cerro, Leo Astrada, escalou o meia Torres bem aberto, quase como um ponta esquerda, dando trabalho para o ala santista. Pelo alto, os paraguaios ameaçavam em alguns lances.

Neymar Santos x Cerro Porteño (Foto: Miguel Schincariol / Globoesporte.com)Neymar brilha mais uma vez em campo pelo Santos (Foto: Miguel Schincariol / Globoesporte.com)

A situação era preocupante, mas o Santos tinha Neymar. Sorte de quem tem um jogador como ele. É craque e, como tal, não decepcionou. Jogador do improviso, da jogada inesperada, do drible improvável. Percebendo que o time não chegava, ele recuou e assumiu o papel de armador. Na verdade, se desdobrou para tentar fazer o que parecia impossível: armar e atacar ao mesmo tempo. Correndo, dando chapéus, apanhando, caindo, levantando, o prodígio alvinegro jogava por todos.

Aos 43, o astro recebeu pela esquerda, foi deixando marcadores para trás e cruzou da linha de fundo. Edu Dracena subiu mais do que todo mundo e cabeceou. Um gol chorado. A bola bateu no travessão e caiu centímetros além da linha fatal. Um gol de Libertadores.

Vaias para Zé Eduardo e vitória garantida

Zé Eduardo na partida do Santos contra o Cerro Porteño (Foto: Reuters)Zé Eduardo não tem boa atuação (Foto: Reuters)

Perdendo o jogo, o Cerro se adiantou no segundo tempo, dando mais espaço para o Santos armar jogadas no meio de campo. Diferentemente do que aconteceu na etapa inicial, o Peixe tocava a bola no campo de ataque do adversário. No entanto, não conseguia invadir área paraguaia.

Quando a bola chegava era para os pés de Zé Eduardo, que não dominava. Neymar buscava a aproximação, a tabela, mas o centroavante não correspondia. A cada jogada que errava, sentia o Pacaembu desmoronando em vaias sobre sua cabeça. A entrada de Maikon Leite em seu lugar foi comemorada como um gol pelos mais de 31 mil santistas que foram ao Pacaembu.

Com Maikon, o Santos passou a ter dois jogadores abertos pelas pontas, trocando de posições. Elano chegava pelo meio. O Peixe tinha espaços e a bola, mas não acertava jogadas. Neymar insistia em lances individuais, tentando resolver novamente sozinho, sem sucesso.

Ao fim, o Peixe venceu pelo placar mínimo e agora vai ao Paraguai tentando voltar à final da Libertadores após oito anos. A última vez foi em 2003, quando perdeu para o Boca Juniors.

SANTOS 1 X 0 CERRO PORTEÑO-PAR
Rafael, Pará, Edu Dracena, Durval e Léo (Alex Sandro); Adriano, Arouca, Danilo e Elano (Alan Patrick); Neymar e Zé Eduardo (Maikon Leite) Barreto, Piris, Uglesich, Pedro Benítez e César Benítez; Cáceres, Júlio dos Santos, Villareal (Burgos) e Ivan Torres (Nuñes); Fabbro e Bareiro (Nanni)
Técnico: Muricy Ramalho Técnico: Leonardo Astrada
Gols: Edu Dracena, aos 43 minutos do primeiro tempo;
Cartões amarelos: Villareal, Cáceres, Ivan Torres, Nanni (Cerro Porteño), Arouca, Neymar (Santos)
Local: Pacaembu. Data: 25/5/2011. Árbitro: Jorge Larrionda (URU). Auxiliares: Pablo Fandiño (URU) e William Casavieja (URU). Público e renda: 31.434 pagantes/R$ 1.286.140,00

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ultimo gol em uma partida oficial de adriano completa 1 ano hojé

O império ruiu. Há exatamente um ano, Adriano marcava seu último gol em partidas oficiais, na despedida do Flamengo da Taça Libertadores, e iniciava o período mais difícil de toda a carreira. Disputar a segunda Copa do Mundo e recomeçar a vida na Europa jogando pelo Roma não passariam de sonhos. Não bastassem os problemas fora de campo e o pouco sucesso na Itália, o atacante começou seu calvário contra lesões que o tirariam de combate até o mês de setembro. É o Imperador com saudade do gol.

No dia 20 de maio de 2010, Adriano deu, aos 32 minutos do segundo tempo, a vitória ao Rubro-Negro contra o Universidad de Chile, pelas quartas de final da Libertadores. O triunfo por 2 a 1 de nada serviu (assista ao vídeo dos gols). Os chilenos haviam vencido o primeiro confronto por 3 a 2, no Maracanã, e avançaram à fase seguinte por terem feito mais gols na casa do adversário.

Adriano já tinha decidido voltar à Europa para tentar reconstruir a carreira internacional. Desta vez, em baixa. Apesar de ter sido decisivo para o Flamengo conquistar o Campeonato Brasileiro de 2009, o jogador ficou fora da lista de Dunga para a Copa do Mundo. Antes de encarar o Corinthians, pelas oitavas da Libertadores, o atacante faltou a um treino sem qualquer explicação. No mesmo dia, o auxiliar Jorginho decidiu visitar o clube. Era o que faltava para o nome dele não estar na relação de convocados a viajar à África do Sul.

Adriano no treino do Corinthians sorridente (Foto: Ag. Estado)Adriano mata saudades do futebol ao ver os treinos do Corinthians do banco (Foto: Ag. Estado)

Apresentado como uma estrela pelo Roma, em 9 de junho, Adriano ficou longe de recuperar o prestígio internacional que lhe rendeu o apelido de Imperador. O comportamento, grande preocupação do clube italiano, mudou. O atacante trocou as polêmicas e a agitação noturna, como acontecia no Internazionale, por uma vida mais pacata. Ele só não esperava por uma maré de azar e pelo desprezo do técnico Cláudio Ranieri.

A sequência de lesões começou logo na pré-temporada. Em agosto, pouco antes da estreia no Campeonato Italiano, Adriano sofreu um problema muscular na coxa direita durante um treinamento. A estreia, entrando no segundo tempo, aconteceu em 21 de agosto, na derrota por 3 a 1 para o Inter, pela decisão da Supercopa da Itália.

JOGOS OFICIAIS DE ADRIANO PELO ROMA: OITO PARTIDAS SEM GOLS
DATA JOGO TORNEIO
21/08/2010 Inter 3 x 1 Roma Supercopa da Itália
22/09/2010 Brescia 2 x 1 Roma Campeonato Italiano
28/09/2010 Roma 2 x 1 Cluj Liga dos Campeões
20/11/2010 Roma 2 x 0 Udinense Campeonato Italiano
04/12/2010 Chievo 2 x 2 Roma Campeonato Italiano
18/12/2010 Milan 0 x 1 Roma Campeonato Italiano
16/01/2011 Cesena 0 x 1 Roma Campeonato Italiano
19/01/2011 Roma 2 x 1 Lazio Copa da Itália

O retorno aos gramados não foi nada animador. Fora de forma, Adriano não conseguia render o esperado e não contou com a simpatia do treinador. Por isso, ficou várias vezes sem sequer ser relacionado. Para complicar ainda mais, no fim de setembro, teve uma torção no tornozelo esquerdo, precisando de mais 15 dias para se recuperar.

Atento à dificuldade, o Corinthians iniciou no fim do ano o “namoro” com o Imperador. O jogador se mostrou interessado em atuar pelo Timão depois que foi convidado pelo amigo Ronaldo, já planejando a aposentadoria. Atacante e Alvinegro chegaram a um acordo financeiro, mas o Roma decidiu não liberá-lo. Gilmar Rinaldi, agente do atleta, era contra o retorno ao Brasil por entender que o camisa 9 não teria mais oportunidades na Europa se optasse pela saída.

Adriano ganhou um motivo a mais para deixar a Itália no dia 19 de janeiro, quando lesionou o ombro direito em duelo contra a Lazio. Ele retornou ao Brasil e irritou os dirigentes ao aparecer bebendo cerveja em um restaurante do Rio de Janeiro. Em seguida, se atrasou para voltar à Europa e dar continuidade ao tratamento. No dia 8 de março, os italianos anunciaram a rescisão de contrato. Chegava ao fim uma breve história: oito jogos e nenhum gol em partidas oficiais (confira a tabela acima) – fez apenas um em amistoso contra um combinado da região de Riscone Brunico, vencido por 13 a 0.

Quando um atacante não balança a rede não é bom para o ego"
Adriano

O desemprego durou pouco. Em 25 de março, Adriano foi anunciado como reforço do Corinthians com a esperança de atuar já em maio, na abertura do Campeonato Brasileiro, contra o Grêmio. Mas, em 19 de abril, o atacante rompeu o tendão do pé esquerdo ao fazer um treino de saltos, no CT Joaquim Grava, tendo que passar por uma nova intervenção.

Adriano vem se empenhando na recuperação. Até o momento, não cometeu deslizes e cumpre à risca todo o plano elaborado pelo Timão. A saudade ele mata acompanhando treinos do elenco corintiano. Como ainda não pode caminhar sem proteção, é levado para o banco de reservas do centro de treinamentos por um carrinho de golfe. Com previsão de até cinco meses para retonar aos campos, o Imperador ainda ficará mais tempo sem poder fazer o que mais gosta: gols!

- Para um atacante é muito ruim ficar todo esse tempo sem marcar. Até porque sou acostumado a fazer gols. Mas tive algumas contusões e fiquei fora de algumas partidas. Quando um atacante não balança a rede não é bom para o ego – declarou o Imperador, quando chegou ao Corinthians.