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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Button vence o GP do Canadá em corrida antologica

Faça chuva ou faça sol, Sebastian Vettel vinha dominando a Fórmula 1. E parecia pronto para ampliar o domínio no GP do Canadá, que teve chuva – a ponto de interromper a corrida por duas horas – e sol, numa aparição tímida após a relargada. O alemão da RBR controlou a prova do início até última volta, quando enfim, apareceu alguém para beliscar seu reinado. Com uma reação antológica, o inglês Jenson Button ultrapassou Vettel nos instantes finais e arrancou uma vitória improvável ao conduzir sua McLaren após duas batidas e seis passagens pelos boxes, incluindo uma punição. Quatro horas depois da largada, ninguém imaginava que o desfecho seria aquele. Mas Button teve um domingo para derrubar todos os prognósticos.

Como se não bastasse, o britânico ainda precisou torcer contra mais uma reviravolta, já que a direção da prova julgou dois incidentes que ele teve na corrida, um com Lewis Hamilton e outro com Fernando Alonso - os dois abandonaram. Quase duas horas depois da corrida, veio a decisão que aliviou o inglês: sem punição, vitória mantida.

Um decepcionado Vettel chegou em segundo, seguido pelo companheiro Mark Webber e pelo alemão Michael Schumacher, da Mercedes. Vitaly Petrov, da Renault, foi o quinto, e Felipe Massa também tirou um feito da cartola no último instante da corrida. Após escorregar 10 posições por causa de uma parada não prevista nos boxes, o piloto da Ferrari arrancou a sexta posição quase em cima da linha de chegada, ao ultrapassar o japonês Kamui Kobayashi, da Sauber.

jenson button mclaren gp do canadá (Foto: agência Getty Images)Eufórico, Jenson Button comemora o triunfo dramático no GP do Canadá (Foto: agência Getty Images)

Rubens Barrichello, da Williams, chegou em nono, na prova caótica que viu seis abandonos, incluindo Fernando Alonso, da Ferrari, e Lewis Hamilton, da McLaren. Após a batalha de Montreal, os pilotos folgam no próximo fim de semana e voltam à pista no dia 26 deste mês, para o GP da Europa, em Valência, na Espanha.

Apesar do tropeço, Sebastian Vettel ainda é o líder isolado do campeonato, com 161 pontos. A vitória fez Button assumir o segundo lugar, com 101, seguido pelos 94 de Webber. Massa é o sexto da temporada, com 32. Veja aqui a classificação completa.

A chuva canadense forçou uma largada sem jeito de largada, com o safety car puxando a fila. Na quarta volta, aí sim, o carro de segurança saiu de cena e a disputa começou de verdade. Alonso pressionou o pole Vettel, Massa pressionou Alonso, mas todo mundo se defendeu bem.

Safety Car na corrida do GP do Canadá (Foto: AFP)O safety car foi presença constante na corrida deste
domingo no Canadá (Foto: AFP)

Em dez minutos, Hamilton diz adeus

Hamilton abriu ali a montanha-russa dos seus dez minutos de corrida. Primeiro tentou forçar para cima de Webber, mas sua roda dianteira direita tocou o carro do australiano, que rodou e perdeu dez lugares na fila, caindo para 14º. O inglês caiu para sexto, atrás de Nico Rosberg e Schumacher. Afoito, tentou dar o bote no heptacampeão, mas levou um passa-fora, saiu da pista e perdeu posições. Pouco depois, na oitava volta, Lewis tentou forçar de novo, desta vez tocando o companheiro Button (veja no vídeo abaixo). Era só o primeiro percalço de Button, que caiu para 12º, mas quem se deu mal mesmo foi Hamilton, que bateu no muro e quebrou a suspensão traseira. Com a roda quase solta, continuou na pista – só por mais alguns segundos, até parar e abandonar o GP.

Com o incidente, lá foi o safety car de novo para a pista, e àquela altura a chuva até que dava uma trégua. Quando a disputa recomeçou, Button era o mais rápido - tão rápido que, antes da saída do safety car, excedeu a velocidade e, punido, foi obrigado a passar pelos boxes. Ainda assim, ele começou a deixar adversários para trás. Webber também subia pelas tabelas e, com as paradas nos boxes, voltou à quarta posição.

Na 19ª volta, a água voltou com força. Melhor para Vettel, Massa, Kobayashi e Webber, que não tinham trocado os pneus de chuva. Seus rivais foram obrigados a parar de novo, e o mau tempo foi buscar outra vez o safety car.

As paradas continuavam mexendo na fila, com Alonso tendo problemas e caindo para oitavo. Massa perdeu a segunda posição para Kobayashi – que manteve os pneus intermediários – e Vettel voltou em primeiro. E voltou reclamando. Pelo rádio, cobrou que não houvesse relargada naquele momento, por causa da aquaplanagem entre as curvas 9 e 13.

Ele tinha razão, porque, na 25ª volta, a chuva venceu. Bandeira vermelha, e todos os carros pararam no grid para esperar as condições melhorarem. Vettel liderava, seguido por Kobayashi, Massa, Heidfeld, Petrov, Di Resta, Webber, Alonso, De la Rosa e - ainda lá atrás - Button.

caminhão tenta melhorar as condições da pista no GP do Canadá (Foto: Reuters)Enormes poças se formaram na pista e forçaram a interrupção da corrida (Foto: Reuters)

Durante uma hora e meia, a água castigou o circuito Gilles Villeneuve. Com os carros cobertos no grid, a organização mandou máquinas à pista para lutar contra enormes poças. Já eram 16h12m (no horário de Brasília) quando a chuva, enfim, parou. O céu ficou mais claro, as lonas começaram a ser retiradas e alguns motores foram ligados, enquanto o carro da direção de prova dava suas voltas para inspecionar as condições. Outra meia hora se passou e, quando foi anunciada a relargada para as 16h50m... outra pancada de chuva. Mas a corrida recomeçou mesmo assim, com o safety car à frente.

Até o sol, ainda que tímido, apareceu

Enquanto os carros iam levantando spray, a torcida nas arquibancadas vibrava. Na sétima volta após o recomeço, até o sol deu uma espiada rápida na corrida. Foi quando o safety car voltou aos boxes na volta 34, e a disputa recomeçou. Vettel conseguiu abrir um certo conforto, e Massa deu o bote em Kobayashi. Chegou a ultrapassá-lo, mas o japonês deu o troco imediatamente, mantendo a segunda posição.

Na 37ª volta, logo após sair dos boxes, Alonso se chocou com Button ao se defender de uma tentativa de ultrapassagem e foi parar no muro. O espanhol abandonou, e o inglês, no seu calvário, teve de voltar aos boxes. Nem deu para sentir saudades do safety car, que voltou à pista e ali ficou por três voltas.

Na relargada, os três primeiros mantiveram seus postos, e a emoção ficou a cargo de Schumacher. Em sétimo lugar, ele passou Webber e, logo depois, Di Resta, que tocou Heidefeld e teve problemas no bico. Heidfeld fez o que pôde para segurar Schumi, mas não resistiu na 44ª volta.

Dos boxes, a Ferrari pedia que Massa “tirasse Kobayashi do caminho” para perseguir Vettel, mas o japonês segurava a vice-liderança com unhas e dentes. Quando o brasileiro finalmente conseguia superar o japonês, na volta 52, veio uma manobra digna de heptacampeão: Schumacher aproveitou a disputa e ultrapassou os dois ao mesmo tempo, assumindo a segunda posição.

Massa e Schumi pararam logo em seguida, e o brasileiro deu azar. Com pneus slick, perdeu o controle na reta, bateu no guard rail e teve de voltar para trocar a asa dianteira. Com isso, escorregou para o 12º posto. Kobayashi também perdeu posições para Webber e Button, que àquela altura já fazia uma espetacular corrida de recuperação.

felipe massa ferrari gp do CAnadá (Foto: Agência EFE)Felipe Massa perdeu posições no fim, mas arrancou o sexto lugar no último instante (Foto: Agência EFE)

Heidfeld, que estava em sexto, tocou Kobayashi à sua frente, quebrou a asa dianteira e bateu. A Renault agiu rápido, mas com a pista suja, não houve jeito: a 13 voltas do fim, o safety car voltou. Atrás dele, Vettel, Schumacher, Webber, Button, Kobayashi, Petrov e Barrichello. Na relargada, faltavam dez voltas.

Desfecho espetacular

O atual campeão conseguiu escapar bem na ponta, mas os três seguintes vinham colados. Webber chegou a passar Schumi, mas errou e permitiu não só o troco, mas a ultrapassagem de Button. Após seis paradas nos boxes, incluindo uma punição, o inglês foi para cima do alemão e não demorou nada para ultrapassá-lo. Webber também conseguiu deixar Schumi para trás e resistiu aos seus ataques, arrancando um pódio suado.

Na última volta, a cereja no bolo da reação de Jenson Button. O inglês partiu para cima de Vettel, que, pressionado, cometeu um erro e viu a quinta vitória escorrer pelos dedos. Com uma ultrapassagem improvável, contra tudo e contra todos, Button cruzou em primeiro.

Massa ainda teve tempo para perseguir Kobayashi e arrancar a sexta posição de forma dramática, quase em cima da linha de chegada. Com tantas reviravoltas na parte final, o Canadá já pode se orgulhar de ter visto neste domingo uma das melhores corridas de Fórmula 1 nos últimos tempos.

button mclaren Pódio gp do canadá (Foto: agência Reuters)Diante de um Vettel frustrado (à esquerda), Button parece não acreditar em seu feito (Foto: agência Reuters)

Confira o resultado final do GP do Canadá (309,396 quilômetros):

1 - Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes) - 70 voltas em 4h04m39s539
2 - Sebastian Vettel (ALE/RBR-Renault) - a 2s709
3 - Mark Webber (AUS/RBR-Renault) - a 13s828
4 - Michael Schumacher (ALE/Mercedes) - a 14s219
5 - Vitaly Petrov (RUS/Renault-Lotus) - a 20s395
6 - Felipe Massa (BRA/Ferrari) - a 33s225
7 - Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari) - a 33s270
8 - Jaime Alguersuari (ESP/STR-Ferrari) - a 35s964
9 - Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth) - a 45s100
10 - Sebastien Buemi (SUI/STR-Ferrari) - a 47s000
11 - Nico Rosberg (ALE/Mercedes) - a 50s400
12 - Pedro de la Rosa (ESP/Sauber-Ferrari) - a 1m03s600
13 - Vitantonio Liuzzi (ITA/Hispania-Cosworth) - a 1 volta
14 - Narain Karthikeyan (IND/Hispania-Cosworth) - a 1 volta
15 - Jerome D'Ambrosio (BEL/MVR-Cosworth) - a 1 volta
16 - Timo Glock (ALE/MVR-Cosworth) - a 1 volta
17 - Jarno Trulli (ITA/Lotus-Renault) - a 1 volta
18 - Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes) - a 3 voltas/acidente

Não completaram:

Pastor Maldonado (VEN/Williams-Cosworth) - a 9 voltas/mecânico
Nick Heidfeld (ALE/Renault-Lotus) - a 15 voltas/acidente
Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes) - a 21 voltas/acidente
Fernando Alonso (ESP/Ferrari) - a 34 voltas/acidente
Heikki Kovalainen (FIN/Lotus-Renault) - a 42 voltas/mecânico
Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes) - a 63 voltas/acidente

Melhor volta: Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes) - 1m16s956, na 69ª

Dallas Campeão da NBA

Quase cinco anos atrás, em 20 de junho de 2006, Dirk Nowitzki entrou em quadra, fez 29 pontos, pegou 15 rebotes... e voltou para casa com a maior decepção da sua carreira. Naquele dia, dentro de casa, ele perdia o título da NBA para o Miami Heat. Meia década se passou, e na noite deste domingo o alemão teve a chance de saborear o prato frio da vingança. Pressionado, não acertou quase nada no primeiro tempo e foi para o vestiário sob desconfiança. Mas voltou liderando seus companheiros, certo de que não podia jogar outra chance pela janela. No ginásio do Heat, o Dallas Mavericks buscou sua revanche. Venceu por 105 a 95, fechou a série final em 4 a 2 e, pela primeira vez na história da franquia, conquistou o título da NBA.

basquete nba dirk nowitzki  dallas mavericks campeão NBA (Foto: agência Reuters)Nowitzki ergue a taça: sonho realizado para o alemão e para o Dallas Mavericks (Foto: agência Reuters)

Blog Rebote: O que achou do título do Dallas e do MVP Nowitzki? Deixe sua opinião

Com apenas três pontos no primeiro tempo, Nowitzki adicionou outros 18 no segundo, incluindo cestas importantes na reta final. Ainda pegou 11 rebotes na noite em que realizou o sonho da vida. Eleito o melhor jogador das finais, deixou a quadra surpreendentemente quieto assim que a última sirene tocou, sem esboçar um sorriso. Depois voltou para erguer a taça e receber o troféu de MVP.

- Ainda não consigo acreditar. Trabalhamos tanto, durante tanto tempo, que é difícil acreditar - afirmou o ala-pivô no centro da quadra.

O cestinha dos Mavs na partida foi o reserva Jason Terry, com 27. O outro Jason do time, Kidd, enfim conquista um título após 17 anos de carreira, com dois vices à frente do New Jersey Nets. No jogo 6, ele colaborou com nove pontos e oito assistências. O portorriquenho Jose Juan Barea adicionou 15 pontos e cinco passes, enquanto Shawn Marion fez 12 pontos e Tyson Chandler apanhou oito rebotes.

basquete nba lebron james miami heat desolado (Foto: agência Getty Images)LeBron James se escondeu mais uma vez no
quarto período (Foto: agência Getty Images)

Pelo lado do Miami, foi uma derrota dolorosa para LeBron James. Criticado por sumir no quarto período das partidas decisivas, o ala mais uma vez foi mal na reta final. Terminou o jogo com 21 pontos, cometeu seis desperdícios e não chamou a responsabilidade na parte final. Chris Bosh fez 19 pontos, Mario Chalmers registrou 18, e Dwyane Wade também teve noite abaixo do esperado com 17.

No início, parecia que LeBron estava disposto a chutar para longe o rótulo de pipoqueiro. Entrou em quadra com a faca entre os dentes no domingo e, na primeira tentativa, converteu uma bola de três. Acertou também os três arremessos seguintes e obrigou o técnico dos Mavs a pedir tempo. O ginásio fervia. Dali em diante, o quarto inicial entrou na montanha-russa. O Dallas passou à frente; o Miami emplacou uma sequência de 13 a 1; Nowitzki fez sua segunda falta e foi para o banco; mas os Mavs responderam com sua própria sequência de 21 a 4. Ao fim dos primeiros 12 minutos, 32 a 27 para os visitantes.

Veio o segundo quarto, e DeShawn Stevenson calibrou a pontaria. O reserva do Dallas acertou duas seguidas de três para abrir 12 de vantagem. Aí a montanha-russa entrou em quadra novamente, com o Miami fazendo 14 pontos seguidos para virar o placar. Foi quando o técnico Rick Carlisle pediu tempo. Quando voltava para o banco, Stevensou deu uma trombada em Udonis Haslem. Mario Chalmers, armador do Heat, foi tomar as dores do companheiro, trocou empurrões com Stevensou, e o tempo fechou. Àquela altura, com o título em jogo, os nervos pareciam descontrolados.

Nowitzki não acertava nada e terminou o primeiro tempo com 1/12 nos arremessos. Se o Dallas liderava, era pelas mãos de Terry, autor de 19 pontos na metade inicial. LeBron tinha 11, Wade tinha nove, mas não era o bastante para evitar a vantagem apertada do time de azul: 53 a 51.

basquete nba dirk nowitzki dallas mavericks miami heat (Foto: agência Getty Images)Após um primeiro tempo ruim, Dirk Nowitzki enfim acordou no segundo (Foto: agência Getty Images)

Veio o segundo tempo, e o alemão acordou. Acertou dois chutes seguidos e, com dois minutos no terceiro período, já tinha feito mais do que em todo o primeiro tempo. O placar ficou equilibrado durante todo o quarto, com as duas equipes cometendo erros bobos e, ao mesmo tempo, acertando bolas difíceis. No estouro do cronômetro, um personagem improvável: Ian Mahinmi, que só ganhou minutos de quadra por causa da lesão de Brendan Haywood, acertou a mão no estouro do cronômetro, e o Dallas foi para o último quarto vencendo por 81 a 72.

A vitória era a única saída para o Miami, e a pressão mexia com a cabeça dos jogadores. LeBron arremessou e a bola nem tocou no aro. Wade quicou a bola no próprio pé. A defesa abriu a porteira para a infiltração de Barea. Os rebotes ofensivos eram dos Mavs. LeBron se recusava a decidir no ataque. E assim o Dallas administrava a vantagem na casa dos dez pontos.

No último minuto, os torcedores já iam embora do ginásio. Nowitzki fez uma bandeja a 30 segundos do fim e aí a ficha parece ter caído. O alemão ergueu o punho, levou as mãos à cabeça. Faltava pouco para o sonho do título. E o tempo passou rápido. Com a sirene final, o ginásio se calou. Nowitzki sequer festejou na quadra. Enquanto seus companheiros se abraçavam na quadra, ele andou direto para o vestiário, cara fechada. E foi comemorar longe das câmeras, do seu jeito.

basquete nba bill russel entrega troféu mvp das finais dirk nowitzki (Foto: agência Reuters)Das mãos do lendário Bill Russell, Nowitzki ganha o troféu de MVP das finais (Foto: agência Reuters)

domingo, 12 de junho de 2011

Palermo se despede da tocida do Boca nesse domingo e na proxima semana se aposenta

O atacante Martín Palermo, do Boca Juniors, se despedirá da mais fanática torcida da Argentina na Bombonera neste domingo, no duelo contra o Banfield, pela penúltima rodada do Torneio Clausura, às 20h20 (de Brasília). O jogador, que fará sua última partida como profissional na próxima semana diante do Gimnasia, é conhecido em seu país por ter uma trajetória digna de cinema e o GLOBOESPORTE.COM montou um roteiro com o melhor e o pior da carreira do maior goleador da história do Boca.

- Um filme sobre o Palermo teria que ser uma comédia dramática. Martín é um romântico. Ele não tem destreza, não tem condições para jogar futebol, mas sempre superou os adversários e as adversidades. É como um Frankenstein - analisou o diretor argentino Juan Pablo Roubio, autor do filme "Argentina Fútbol Club", que contou com a participação do próprio Palermo, em entrevista por telefone.

O torcedor Damián Biagetti é responsável pela principal homenagem na despedida do ídolo: resolveu fazer uma campanha para a criação de uma estátua do jogador, que gostou da ideia e acompanha de perto a evolução da obra, que deverá ser exposta no museu do clube.

- Depois de tantas alegrias, de tantas loucuras, achei que era a hora de homenageá-lo. Trata-se de um guerreiro, um homem incomparável. Hoje em dia é raro um jogador ficar tanto tempo no mesmo clube e ainda fazer tantos gols - exaltou Biagetti ao GLOBOESPORTE.COM.

VÍDEO: os gols mais importantes de Palermo eleitos por ele próprio. Veja!

A ideia de um filme sobre o artilheiro encanta Damián, que dá dicas importantes.

- O filme deve mostrar o otimismo dele, sua garra. Ele sempre se levantou. A primeira parte deveria ser sobre quando ele voltou de lesão e marcou um gol decisivo contra o River na Libertadores - apontou, referindo-se à histórica vitória sobre o arquirrival por 3 a 0, em que Palermo entrou em campo no segundo tempo e marcou o terceiro gol, carimbando a classificação do time de La Boca para as semifinais.

palermo boca juniors chilavert (Foto: Reprodução You Tube)Palermo comemora gol salvador pela Argentina diante dos peruanos (Foto: Reprodução You Tube)

O patinho feio

Todo herói de cinema que se preze inicia sua trajetória com dificuldades, sofrendo preconceitos e quase sempre chegando ao ponto de desistir de algum sonho. Com Palermo não foi diferente. Começou a carreira no Estudiantes de La Plata em 1992, mas demorou dez meses para marcar seu primeiro gol como profissional.

Palermo levanta a taça da Libertadores pelo Boca Juniors (Foto: EFE)Atacante Martín Palermo levanta a taça da
Libertadores pelo Boca Juniors (Foto: EFE)

Nenhum treinador parecia gostar do grandalhão louro, que quase foi parar no San Martín de Tucumán - curiosamente o time sobre o qual balançou a rede pela primeira vez, no dia 22 de maio de 1993. Graças a um preparador físico que assumiu o comando técnico, a estrela do atacante começou a brilhar, os gols se tornaram constantes e o Boca acabou o contratando.

Gols chaplinianos

Palermo é o atacante que fez os gols mais inacreditáveis da história do futebol. Daqueles que, contando, ninguém acredita. Em 1997, Martín conseguiu converter um pênalti com as duas pernas. Desengonçado, escorregou e a bola acabou entrando após bater rapidamente nas pernas de nosso herói enquanto o mesmo caía. Na comemoração, um sorriso amarelo.

Em 1999 o goleador machucou o joelho direito em uma partida contra o Newell's Old Boys. Não podia ser substituído e sim, acabou fazendo um gol dramático, o 100º de sua carreira. Já no Villarreal da Espanha, Palermo ficou alguns meses sem balançar as redes e, quando voltou a marcar, foi comemorar com a torcida. A vibrante celebração derrubou um muro de proteção, os torcedores caíram e o resultado foi uma lesão grave no tornozelo direito.

BLOG FUTEBOL ARGENTINO Camisa especial e máscara para a despedida de Palermo

Em 2007, Palermo marcou o gol mais bonito de sua carreira. Em jogo contra o Independiente, o atacante roubou a bola e, da linha do meio de campo, arriscou o chute. O goleiro Ustari estava adiantado e virou um espectador de luxo. Um ano depois, mais um gol inusitado. Após cobrança de falta, o goleiro do River Plate espalmou a bola para cima. Palermo se apoiou no travessão e marcou de cabeça.

palermo boca juniors chilavert (Foto: Reprodução You Tube)Palermo x Chilavert (Foto: Reprodução You Tube)

Em 2009 Martín entrou para o Livro dos Recordes. Para afastar o perigo, o goleiro do Vélez deu um chutão para a frente. Não esperava que a bola fosse parar exatamente na cabeça do atacante, que conseguiu marcar a surpreendentes 38,9m de distância do gol.

Golias contra... Golias

Um herói precisa de um vilão do mesmo peso para dar emoção à trama. No caso do protagonista argentino, seu rival era um homem que nunca levou desaforo para casa: o polêmico goleiro paraguaio Chilavert, que jogava no Vélez Sarsfield. Houve confusão em duas oportunidades e, em ambas, Palermo foi expulso. No primeiro duelo, o jogador do Boca deu um carrinho para tentar alcançar a bola, mas acabou acertando o goleiro, que respondeu deixando as travas de sua chuteira marcarem o rival.

No segundo enfrentamento, alguns anos depois, Chilavert cobrou falta, a bola bateu na barreira, voltou para o goleiro, mas o camisa 9 do Boca impediu o rebote, em um choque que levou os dois ao chão.

palermo boca juniors x quilmes (Foto: EFE)Palermo comemora gol do Boca (Foto: EFE)

Os melhores capítulos

Além de ser o maior artilheiro da história do Boca Juniors, Palermo foi o responsável por alguns dos gols mais importantes da história do clube. Conforme lembrou Damián Biagetti, o gol contra o River está no imaginário de todos os torcedores. Martín voltava de lesão após seis meses e chegou a ser alvo de piada do técnico rival, que o classificou, indiretamente, como um ex-jogador em atividade. O River havia vencido a ida das quartas de final por 2 a 1. O Boca vencia o jogo da volta na Bombonera por 2 a 0, sofria enorme pressão e um novo gol confirmaria a classificação. O atacante entrou durante o segundo tempo e marcou o terceiro.

O auge da carreira aconteceu em Tóquio, no Japão, mais precisamente no dia 28 de novembro de 2000. Final do Mundial de Clubes contra o poderoso Real Madrid. Em cinco minutos Palermo acabou com o jogo, marcando dois gols na vitória por 2 a 1.

O fortalecimento de um guerreiro

Um dos piores capítulos na fantástica história de cinema aconteceu na Copa América de 1999. A Argentina enfrentava a Colômbia e Palermo perdeu três pênaltis no mesmo jogo (assista no vídeo ao lado). O feito foi notícia em todo o mundo e, desde então, o atacante nunca conseguiu ter sucesso com a seleção.

A pior parte do filme, no entanto, aconteceu fora dos gramados. Em 2006, Palermo perdeu um filho, que nasceu prematuramente. Pouco tempo depois pediu para jogar e homenagear o bebê, que se chamaria Stefano. Marcou dois gols, deixou o campo chorando e foi ovacionado pela torcida e por Maradona.

A redenção

Depois de longo tempo longe da seleção argentina, Palermo foi convocado pelo técnico Maradona para os dois últimos jogos das Eliminatórias para a Copa de 2010, contra Peru e Uruguai. Os argentinos faziam campanha medíocre e corriam o risco de não disputarem o Mundial. Contra os peruanos, no Monumental de Nuñez, Higuaín abriu o placar, mas a Argentina sofreu o empate aos 44 do segundo tempo. Era a cena perfeita para a consagração do herói. Chovia como nunca em Buenos Aires e, aos 47 minutos da segunda etapa, o ídolo do Boca marcou o gol da vitória.

Contra o Uruguai, Palermo não jogou. Todavia, seu gol reacendeu a chama do time, que venceu o rival em Montevidéu, carimbando o passaporte para a África do Sul.

torcida palermo boca juniors (Foto: Divulgação)Torcida faz faixa de apoio para Palermo (Foto: Divulgação)

O fim

Todos os ingressos foram vendidos para a despedida contra o Banfield. Com um Mundial de Clubes, duas Libertadores, seis campeonatos argentinos, e quatro sul-americanas no currículo, a estrela do filme receberá os últimos aplausos de seus seguidores. Após cerca de 20 anos em cartaz, o filme Martín Palermo deixará o circuito para sempre e não estará disponível em DVD. Sorte dos que puderam gravar na memória os gols do Titã.

sábado, 11 de junho de 2011

Brasil vence EUA de virada

Abrindo um espaço para o Volei Brasileiro que venceu os EUA na manhã desse sabado


No início, o susto. Com banca de campeã olímpica, a seleção dos Estados Unidos acertou o primeiro golpe no Mineirinho lotado, pulou na frente e ameaçou repetir o resultado da final dos Jogos de Pequim. Mas a festa em Belo Horizonte ainda estava para começar. Apoiado por 14.800 torcedores em Belo Horizonte, o Brasil encontrou forças para reagir e venceu por 3 sets a 1 (parciais de 19/25, 25/21, 25/19 e 25/21). A vitória isola ainda mais a equipe de Bernardinho na liderança do grupo A da Liga Mundial, agora com 15 pontos, contra nove dos rivais deste fim de semana.

O confronto dos finalistas de Pequim-2008 tem novo capítulo marcado para este domingo, a partir das 9h50m, novamente no Mineirinho. A Rede Globo transmite a partida ao vivo.

Brasil comemora vitória sobre os EUA na Liga Mundial (Foto: Victor Schwaner/VIPCOMM)Jogadores do Brrasil comemoram a vitória, enquanto Priddy se levanta (Foto: Victor Schwaner/VIPCOMM)

- Nós nos adaptamos ao jogo. Os Estados Unidos são um time muito disciplinado taticamente, defende muito bem. Começamos um pouco tensos também. Jogar em casa é sempre motivo de ansiedade, mas soubemos administrar isso depois, tivemos paciência, com a entrada de grandes jogadores, como o Sidão. O importante é que estamos evoluindo a cada jogo - analisou o levantador Bruninho.

Dante foi poupado pela comissão técnica. Com uma inflamação no joelho, o ponteiro até tinha condições clínicas de atuar, mas a dor limitaria sua performance. Assim, João Paulo Bravo formou a linha de passe ao lado de Murilo e Serginho. Na posição de oposto, Bernardinho optou por Théo em vez de Wallace para compor o banco. Do lado americano, o técnico Alan Knipe escalou Thornton na armação das jogadas. No treino da véspera, o comandante havia testado também o albanês naturalizado Suxho na como levantador no time titular.

O pequeno rali já no ponto inicial, convertido para o Brasil por Murilo, deu a impressão de que o primeiro set teria uma batalha a cada disputa. Mas os americanos seguiram na cola brasileira e, em um ataque para fora de Vissotto, conseguiram assumir a dianteira no placar. Com saques muito forçados, bloqueio a postos e ainda contando com erros não forçados da equipe da casa, os rivais chegaram à parada técnica com 8/4 no placar.

A desvantagem fez o treinador antecipar a inversão para aumentar a rede, com Théo e Marlon em quadra. O oposto apareceu bem, convertendo dois pontos e ajudando na defesa: em um dos lances, buscou a bola no banco de reservas, mas Serginho errou ao passar na rede. Quando o marcador apontou 13/7, o técnico restabeleceu a formação inicial. Com reclamações dos dois lados sobre as marcações da arbitragem, a vantagem americana chegou a sete pontos na segunda parada técnica.

Leandro Vissotto na partida do Brasil contra os EUA no vôlei (Foto: Victor Schwaner / VIPCOMM)Maior pontuador do jogo, com 14 pontos, Vissotto
tenta o ataque (Foto: Victor Schwaner / VIPCOMM)

Murilo, João Paulo Bravo e Vissotto, em diferentes momentos, ficaram no paredão americano. A seleção também pecou no saque: vários pararam na rede ou foram para fora, enlouquecendo Bernardinho.

Com Rodrigão, em um ataque rápido pelo meio e um bloqueio na sequência, o Brasil até ensaiou uma reação. Na vaga de João Paulo Bravo, Thiago Alves entrou para estrear na Liga Mundial. As alterações, porém, não fizeram milagre. Os Estados Unidos administraram a margem construída no princípio da parcial e, com Millar, fecharam em 25/19.

Na segunda etapa, o Brasil voltou mais ligado e largou na frente. Com uma série de erros do ataque americano e uma ajudinha da sorte em um saque de Murilo, os anfitriões abriram 6/2. Mas a alegria da torcida logo se transformou em preocupação quando Priddy, inspirado na ponta, dizimou a vantagem e empatou o jogo em 8/8.

Se Vissotto e Bravo viravam de um lado, Lee e Millar também apareciam do outro, e a igualdade se mantinha. Em um ace de Anderson, os EUA tomaram a ponta pela primeira vez na parcial. No bloqueio simples, Stanley parou Murilo e deixou seu país à frente na parada técnica: 16/14.

Após uma série de erros de saques das duas equipes, Bernardinho colocou Sidão em quadra e ficou momentaneamente sem levantador. Com Rodrigão no saque, o central do Sesi subiu bem no bloqueio e deixou tudo igual mais uma vez: 19/19. Após novo ponto americano, foi a vez de Marlon sair do banco e fazer a diferença. O levantador conseguiu dois aces e deixou o Brasil a dois pontos de fechar o set. Théo, em uma disputa de bola pelo alto, e Murilo, contando com um erro de Lee, fecharam a parcial em 25/21 e igualaram a partida.

O bloqueio americano voltou a aparecer com eficiência no início do terceiro set e Priddy, saltando do fundo de quadra, fez 4/2 para os estrangeiros. A igualdade brasileira em 6/6 foi alcançada em uma jogada rara: Murilo mostrou habilidade e levantou, de costas, para o ataque preciso de Bravo.Após dois bloqueios triplos e uma bola disputada no alto, em que o árbitro pediu ajuda ao auxiliar na marcação, a seleção abriu 9/6. Com a responsabilidade dividida, cada hora um atleta diferente pontuava para o Brasil: Vissotto, Sidão, Rodrigão e até Bruninho, de segunda, deixaram sua marca. Em um bloqueio simples sobre Stanley, João Paulo Bravo marcou 16/12.

Rodrigão na partida do Brasil contra os EUA no vôlei (Foto: Victor Schwaner / VIPCOMM)Problema no início, bloqueio do Brasil cresceu durante a partida (Foto: Victor Schwaner / VIPCOMM)

Com um aproveitamento excelente em seu serviço, Patak ameaçou uma reação adversária. A inversão de Bernardinho, porém, conteve o ímpeto americano. Sidão, bloqueando Stanley e em jogada rápida com Marlon pelo meio, se destacou. Com Théo explorando o bloqueio e uma bola fora do ataque rival, o Brasil fez 25/19.

No quarto set, com Bruninho no saque, os brasileiros conseguiram abrir 4/0. Russell Holmes, ex-jogador do Minas, foi o primeiro a pontuar para o lado americano. Aparentemente desorientados, os estrangeiros assistiram a Vissotto cravar uma bola espirrada e Murilo saltar do fundo de quadra, duas vezes, para fazer 8/3.

O baile brasileiro na etapa permaneceu o mesmo, contando ainda com muitos erros dos Estados Unidos. Algumas falhas bobas, inclusive, como a indefinição de que atleta iria em bolas relativamente fáceis. Nem a troca de levantadores, com Suxho em quadra, surtiu efeito. Do lado verde e amarelo, João Paulo Bravo se apresentou na ponta com segurança. Na vaga de Vissotto, Théo também fez sua parte. A poucos pontos do fim, Bernardinho desfez a inversão, mas o passeio continuou. Apoiado pelos gritos da torcida mineira, Murilo saltou do fundo de quadra para selar a vitória: 25/21.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

São Paulo Lidera o Brasileirão e sai da crise

O futebol realmente surpreende quando você menos espera. No dia 12 de maio, o São Paulo, atônito em campo, foi derrotado pelo Avaí por 3 a 1, no estádio da Ressacada e viu o sonho de conquistar a Copa do Brasil pela primeira vez transformar-se em pesadelo. A crise se instalou, Paulo César Carpegiani não perdeu o emprego por muito pouco e a torcida chegou a fazer protesto no CT da Barra Funda. Para piorar, o zagueiro Alex Silva foi dispensado e jogadores importantíssimos, como os beques Miranda e Rhodolfo e os atacantes Fernandinho e Luis Fabiano, não conseguem sair do departamento médico.

Quatro semanas depois daquele jogo contra o Avaí, no entanto, o Tricolor renasceu. Com muitos garotos revelados na base de Cotia, o time ganhou corpo e, apesar do pouco tempo, Carpegiani conseguiu fazer o time crescer. Tanto que, com a vitória por 1 a 0 sobre o Atlético-MG em Sete Lagoas por 1 a 0, a equipe do Morumbi assumiu a liderança isolada do Campeonato Brasileiro com nove pontos, dois a mais que os rivias Palmeiras e Corinthians.

O que teria mudado em tão pouco tempos? Para o atacante Dagoberto, o time resolveu encarar a realidade e modificou radicalmente a sua postura.

- Estamos dando a resposta porque paramos de falar e estamos mostrando dentro de campo. Não adianta ficar dando desculpa. Contra o Atlético-MG, fizemos um bom jogo no primeiro tempo. Quando o resultado vem, é tudo uma maravilha. Mas temos de continuar com humildade, manter os pés no chão. Ainda estamos longe de conquistar alguma coisa – afirmou o camisa 25.

Ceni é abraçado pelos zagueiros ao final da partida contra o Atlético-MG (Foto: Marcelo Prado / GLOBOESPORTE.COM)Xandão, Bruno Uvini e Luiz Eduardo abraçam Rogério Ceni após o jogo em Sete Lagoas. Tricolor reagiu após queda na Copa do Brasil e assumiu a ponta do Brasileirão (Foto: Marcelo Prado / GLOBOESPORTE.COM)

Já para o goleiro Rogério Ceni, os garotos que entraram no time têm papel fundamental no crescimento da equipe.

- Não é fácil substituir caras consagrados. Quando você tem um time jovem e desfigurado, o que faz a diferença é o coração e isso sobra para essa molecada que está jogando. Isso é muito legal, eu já tive a idade deles e sei o que é o desejo de ser titular e querer fazer história. Depois de uma eliminação sofrida e inaceitável como a que foi contra o Avaí, esses garotos são os responsáveis para fazerem o time crescer – lembrou o capitão são-paulino.

O técnico Paulo César Carpegiani, por sua vez, lembrou que os resultados positivos dão a tranquilidade necessária para o time seguir o seu trabalho de renovação.

- Estamos reformulando a equipe durante a temporada e essas vitórias nos dão tranquilidade e motivação para seguir esse caminho. Mas é bom saber que não está nada ganho, precisa crescer e melhorar muito mais – lembrou.