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domingo, 12 de junho de 2011

Palermo se despede da tocida do Boca nesse domingo e na proxima semana se aposenta

O atacante Martín Palermo, do Boca Juniors, se despedirá da mais fanática torcida da Argentina na Bombonera neste domingo, no duelo contra o Banfield, pela penúltima rodada do Torneio Clausura, às 20h20 (de Brasília). O jogador, que fará sua última partida como profissional na próxima semana diante do Gimnasia, é conhecido em seu país por ter uma trajetória digna de cinema e o GLOBOESPORTE.COM montou um roteiro com o melhor e o pior da carreira do maior goleador da história do Boca.

- Um filme sobre o Palermo teria que ser uma comédia dramática. Martín é um romântico. Ele não tem destreza, não tem condições para jogar futebol, mas sempre superou os adversários e as adversidades. É como um Frankenstein - analisou o diretor argentino Juan Pablo Roubio, autor do filme "Argentina Fútbol Club", que contou com a participação do próprio Palermo, em entrevista por telefone.

O torcedor Damián Biagetti é responsável pela principal homenagem na despedida do ídolo: resolveu fazer uma campanha para a criação de uma estátua do jogador, que gostou da ideia e acompanha de perto a evolução da obra, que deverá ser exposta no museu do clube.

- Depois de tantas alegrias, de tantas loucuras, achei que era a hora de homenageá-lo. Trata-se de um guerreiro, um homem incomparável. Hoje em dia é raro um jogador ficar tanto tempo no mesmo clube e ainda fazer tantos gols - exaltou Biagetti ao GLOBOESPORTE.COM.

VÍDEO: os gols mais importantes de Palermo eleitos por ele próprio. Veja!

A ideia de um filme sobre o artilheiro encanta Damián, que dá dicas importantes.

- O filme deve mostrar o otimismo dele, sua garra. Ele sempre se levantou. A primeira parte deveria ser sobre quando ele voltou de lesão e marcou um gol decisivo contra o River na Libertadores - apontou, referindo-se à histórica vitória sobre o arquirrival por 3 a 0, em que Palermo entrou em campo no segundo tempo e marcou o terceiro gol, carimbando a classificação do time de La Boca para as semifinais.

palermo boca juniors chilavert (Foto: Reprodução You Tube)Palermo comemora gol salvador pela Argentina diante dos peruanos (Foto: Reprodução You Tube)

O patinho feio

Todo herói de cinema que se preze inicia sua trajetória com dificuldades, sofrendo preconceitos e quase sempre chegando ao ponto de desistir de algum sonho. Com Palermo não foi diferente. Começou a carreira no Estudiantes de La Plata em 1992, mas demorou dez meses para marcar seu primeiro gol como profissional.

Palermo levanta a taça da Libertadores pelo Boca Juniors (Foto: EFE)Atacante Martín Palermo levanta a taça da
Libertadores pelo Boca Juniors (Foto: EFE)

Nenhum treinador parecia gostar do grandalhão louro, que quase foi parar no San Martín de Tucumán - curiosamente o time sobre o qual balançou a rede pela primeira vez, no dia 22 de maio de 1993. Graças a um preparador físico que assumiu o comando técnico, a estrela do atacante começou a brilhar, os gols se tornaram constantes e o Boca acabou o contratando.

Gols chaplinianos

Palermo é o atacante que fez os gols mais inacreditáveis da história do futebol. Daqueles que, contando, ninguém acredita. Em 1997, Martín conseguiu converter um pênalti com as duas pernas. Desengonçado, escorregou e a bola acabou entrando após bater rapidamente nas pernas de nosso herói enquanto o mesmo caía. Na comemoração, um sorriso amarelo.

Em 1999 o goleador machucou o joelho direito em uma partida contra o Newell's Old Boys. Não podia ser substituído e sim, acabou fazendo um gol dramático, o 100º de sua carreira. Já no Villarreal da Espanha, Palermo ficou alguns meses sem balançar as redes e, quando voltou a marcar, foi comemorar com a torcida. A vibrante celebração derrubou um muro de proteção, os torcedores caíram e o resultado foi uma lesão grave no tornozelo direito.

BLOG FUTEBOL ARGENTINO Camisa especial e máscara para a despedida de Palermo

Em 2007, Palermo marcou o gol mais bonito de sua carreira. Em jogo contra o Independiente, o atacante roubou a bola e, da linha do meio de campo, arriscou o chute. O goleiro Ustari estava adiantado e virou um espectador de luxo. Um ano depois, mais um gol inusitado. Após cobrança de falta, o goleiro do River Plate espalmou a bola para cima. Palermo se apoiou no travessão e marcou de cabeça.

palermo boca juniors chilavert (Foto: Reprodução You Tube)Palermo x Chilavert (Foto: Reprodução You Tube)

Em 2009 Martín entrou para o Livro dos Recordes. Para afastar o perigo, o goleiro do Vélez deu um chutão para a frente. Não esperava que a bola fosse parar exatamente na cabeça do atacante, que conseguiu marcar a surpreendentes 38,9m de distância do gol.

Golias contra... Golias

Um herói precisa de um vilão do mesmo peso para dar emoção à trama. No caso do protagonista argentino, seu rival era um homem que nunca levou desaforo para casa: o polêmico goleiro paraguaio Chilavert, que jogava no Vélez Sarsfield. Houve confusão em duas oportunidades e, em ambas, Palermo foi expulso. No primeiro duelo, o jogador do Boca deu um carrinho para tentar alcançar a bola, mas acabou acertando o goleiro, que respondeu deixando as travas de sua chuteira marcarem o rival.

No segundo enfrentamento, alguns anos depois, Chilavert cobrou falta, a bola bateu na barreira, voltou para o goleiro, mas o camisa 9 do Boca impediu o rebote, em um choque que levou os dois ao chão.

palermo boca juniors x quilmes (Foto: EFE)Palermo comemora gol do Boca (Foto: EFE)

Os melhores capítulos

Além de ser o maior artilheiro da história do Boca Juniors, Palermo foi o responsável por alguns dos gols mais importantes da história do clube. Conforme lembrou Damián Biagetti, o gol contra o River está no imaginário de todos os torcedores. Martín voltava de lesão após seis meses e chegou a ser alvo de piada do técnico rival, que o classificou, indiretamente, como um ex-jogador em atividade. O River havia vencido a ida das quartas de final por 2 a 1. O Boca vencia o jogo da volta na Bombonera por 2 a 0, sofria enorme pressão e um novo gol confirmaria a classificação. O atacante entrou durante o segundo tempo e marcou o terceiro.

O auge da carreira aconteceu em Tóquio, no Japão, mais precisamente no dia 28 de novembro de 2000. Final do Mundial de Clubes contra o poderoso Real Madrid. Em cinco minutos Palermo acabou com o jogo, marcando dois gols na vitória por 2 a 1.

O fortalecimento de um guerreiro

Um dos piores capítulos na fantástica história de cinema aconteceu na Copa América de 1999. A Argentina enfrentava a Colômbia e Palermo perdeu três pênaltis no mesmo jogo (assista no vídeo ao lado). O feito foi notícia em todo o mundo e, desde então, o atacante nunca conseguiu ter sucesso com a seleção.

A pior parte do filme, no entanto, aconteceu fora dos gramados. Em 2006, Palermo perdeu um filho, que nasceu prematuramente. Pouco tempo depois pediu para jogar e homenagear o bebê, que se chamaria Stefano. Marcou dois gols, deixou o campo chorando e foi ovacionado pela torcida e por Maradona.

A redenção

Depois de longo tempo longe da seleção argentina, Palermo foi convocado pelo técnico Maradona para os dois últimos jogos das Eliminatórias para a Copa de 2010, contra Peru e Uruguai. Os argentinos faziam campanha medíocre e corriam o risco de não disputarem o Mundial. Contra os peruanos, no Monumental de Nuñez, Higuaín abriu o placar, mas a Argentina sofreu o empate aos 44 do segundo tempo. Era a cena perfeita para a consagração do herói. Chovia como nunca em Buenos Aires e, aos 47 minutos da segunda etapa, o ídolo do Boca marcou o gol da vitória.

Contra o Uruguai, Palermo não jogou. Todavia, seu gol reacendeu a chama do time, que venceu o rival em Montevidéu, carimbando o passaporte para a África do Sul.

torcida palermo boca juniors (Foto: Divulgação)Torcida faz faixa de apoio para Palermo (Foto: Divulgação)

O fim

Todos os ingressos foram vendidos para a despedida contra o Banfield. Com um Mundial de Clubes, duas Libertadores, seis campeonatos argentinos, e quatro sul-americanas no currículo, a estrela do filme receberá os últimos aplausos de seus seguidores. Após cerca de 20 anos em cartaz, o filme Martín Palermo deixará o circuito para sempre e não estará disponível em DVD. Sorte dos que puderam gravar na memória os gols do Titã.

sábado, 11 de junho de 2011

Brasil vence EUA de virada

Abrindo um espaço para o Volei Brasileiro que venceu os EUA na manhã desse sabado


No início, o susto. Com banca de campeã olímpica, a seleção dos Estados Unidos acertou o primeiro golpe no Mineirinho lotado, pulou na frente e ameaçou repetir o resultado da final dos Jogos de Pequim. Mas a festa em Belo Horizonte ainda estava para começar. Apoiado por 14.800 torcedores em Belo Horizonte, o Brasil encontrou forças para reagir e venceu por 3 sets a 1 (parciais de 19/25, 25/21, 25/19 e 25/21). A vitória isola ainda mais a equipe de Bernardinho na liderança do grupo A da Liga Mundial, agora com 15 pontos, contra nove dos rivais deste fim de semana.

O confronto dos finalistas de Pequim-2008 tem novo capítulo marcado para este domingo, a partir das 9h50m, novamente no Mineirinho. A Rede Globo transmite a partida ao vivo.

Brasil comemora vitória sobre os EUA na Liga Mundial (Foto: Victor Schwaner/VIPCOMM)Jogadores do Brrasil comemoram a vitória, enquanto Priddy se levanta (Foto: Victor Schwaner/VIPCOMM)

- Nós nos adaptamos ao jogo. Os Estados Unidos são um time muito disciplinado taticamente, defende muito bem. Começamos um pouco tensos também. Jogar em casa é sempre motivo de ansiedade, mas soubemos administrar isso depois, tivemos paciência, com a entrada de grandes jogadores, como o Sidão. O importante é que estamos evoluindo a cada jogo - analisou o levantador Bruninho.

Dante foi poupado pela comissão técnica. Com uma inflamação no joelho, o ponteiro até tinha condições clínicas de atuar, mas a dor limitaria sua performance. Assim, João Paulo Bravo formou a linha de passe ao lado de Murilo e Serginho. Na posição de oposto, Bernardinho optou por Théo em vez de Wallace para compor o banco. Do lado americano, o técnico Alan Knipe escalou Thornton na armação das jogadas. No treino da véspera, o comandante havia testado também o albanês naturalizado Suxho na como levantador no time titular.

O pequeno rali já no ponto inicial, convertido para o Brasil por Murilo, deu a impressão de que o primeiro set teria uma batalha a cada disputa. Mas os americanos seguiram na cola brasileira e, em um ataque para fora de Vissotto, conseguiram assumir a dianteira no placar. Com saques muito forçados, bloqueio a postos e ainda contando com erros não forçados da equipe da casa, os rivais chegaram à parada técnica com 8/4 no placar.

A desvantagem fez o treinador antecipar a inversão para aumentar a rede, com Théo e Marlon em quadra. O oposto apareceu bem, convertendo dois pontos e ajudando na defesa: em um dos lances, buscou a bola no banco de reservas, mas Serginho errou ao passar na rede. Quando o marcador apontou 13/7, o técnico restabeleceu a formação inicial. Com reclamações dos dois lados sobre as marcações da arbitragem, a vantagem americana chegou a sete pontos na segunda parada técnica.

Leandro Vissotto na partida do Brasil contra os EUA no vôlei (Foto: Victor Schwaner / VIPCOMM)Maior pontuador do jogo, com 14 pontos, Vissotto
tenta o ataque (Foto: Victor Schwaner / VIPCOMM)

Murilo, João Paulo Bravo e Vissotto, em diferentes momentos, ficaram no paredão americano. A seleção também pecou no saque: vários pararam na rede ou foram para fora, enlouquecendo Bernardinho.

Com Rodrigão, em um ataque rápido pelo meio e um bloqueio na sequência, o Brasil até ensaiou uma reação. Na vaga de João Paulo Bravo, Thiago Alves entrou para estrear na Liga Mundial. As alterações, porém, não fizeram milagre. Os Estados Unidos administraram a margem construída no princípio da parcial e, com Millar, fecharam em 25/19.

Na segunda etapa, o Brasil voltou mais ligado e largou na frente. Com uma série de erros do ataque americano e uma ajudinha da sorte em um saque de Murilo, os anfitriões abriram 6/2. Mas a alegria da torcida logo se transformou em preocupação quando Priddy, inspirado na ponta, dizimou a vantagem e empatou o jogo em 8/8.

Se Vissotto e Bravo viravam de um lado, Lee e Millar também apareciam do outro, e a igualdade se mantinha. Em um ace de Anderson, os EUA tomaram a ponta pela primeira vez na parcial. No bloqueio simples, Stanley parou Murilo e deixou seu país à frente na parada técnica: 16/14.

Após uma série de erros de saques das duas equipes, Bernardinho colocou Sidão em quadra e ficou momentaneamente sem levantador. Com Rodrigão no saque, o central do Sesi subiu bem no bloqueio e deixou tudo igual mais uma vez: 19/19. Após novo ponto americano, foi a vez de Marlon sair do banco e fazer a diferença. O levantador conseguiu dois aces e deixou o Brasil a dois pontos de fechar o set. Théo, em uma disputa de bola pelo alto, e Murilo, contando com um erro de Lee, fecharam a parcial em 25/21 e igualaram a partida.

O bloqueio americano voltou a aparecer com eficiência no início do terceiro set e Priddy, saltando do fundo de quadra, fez 4/2 para os estrangeiros. A igualdade brasileira em 6/6 foi alcançada em uma jogada rara: Murilo mostrou habilidade e levantou, de costas, para o ataque preciso de Bravo.Após dois bloqueios triplos e uma bola disputada no alto, em que o árbitro pediu ajuda ao auxiliar na marcação, a seleção abriu 9/6. Com a responsabilidade dividida, cada hora um atleta diferente pontuava para o Brasil: Vissotto, Sidão, Rodrigão e até Bruninho, de segunda, deixaram sua marca. Em um bloqueio simples sobre Stanley, João Paulo Bravo marcou 16/12.

Rodrigão na partida do Brasil contra os EUA no vôlei (Foto: Victor Schwaner / VIPCOMM)Problema no início, bloqueio do Brasil cresceu durante a partida (Foto: Victor Schwaner / VIPCOMM)

Com um aproveitamento excelente em seu serviço, Patak ameaçou uma reação adversária. A inversão de Bernardinho, porém, conteve o ímpeto americano. Sidão, bloqueando Stanley e em jogada rápida com Marlon pelo meio, se destacou. Com Théo explorando o bloqueio e uma bola fora do ataque rival, o Brasil fez 25/19.

No quarto set, com Bruninho no saque, os brasileiros conseguiram abrir 4/0. Russell Holmes, ex-jogador do Minas, foi o primeiro a pontuar para o lado americano. Aparentemente desorientados, os estrangeiros assistiram a Vissotto cravar uma bola espirrada e Murilo saltar do fundo de quadra, duas vezes, para fazer 8/3.

O baile brasileiro na etapa permaneceu o mesmo, contando ainda com muitos erros dos Estados Unidos. Algumas falhas bobas, inclusive, como a indefinição de que atleta iria em bolas relativamente fáceis. Nem a troca de levantadores, com Suxho em quadra, surtiu efeito. Do lado verde e amarelo, João Paulo Bravo se apresentou na ponta com segurança. Na vaga de Vissotto, Théo também fez sua parte. A poucos pontos do fim, Bernardinho desfez a inversão, mas o passeio continuou. Apoiado pelos gritos da torcida mineira, Murilo saltou do fundo de quadra para selar a vitória: 25/21.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

São Paulo Lidera o Brasileirão e sai da crise

O futebol realmente surpreende quando você menos espera. No dia 12 de maio, o São Paulo, atônito em campo, foi derrotado pelo Avaí por 3 a 1, no estádio da Ressacada e viu o sonho de conquistar a Copa do Brasil pela primeira vez transformar-se em pesadelo. A crise se instalou, Paulo César Carpegiani não perdeu o emprego por muito pouco e a torcida chegou a fazer protesto no CT da Barra Funda. Para piorar, o zagueiro Alex Silva foi dispensado e jogadores importantíssimos, como os beques Miranda e Rhodolfo e os atacantes Fernandinho e Luis Fabiano, não conseguem sair do departamento médico.

Quatro semanas depois daquele jogo contra o Avaí, no entanto, o Tricolor renasceu. Com muitos garotos revelados na base de Cotia, o time ganhou corpo e, apesar do pouco tempo, Carpegiani conseguiu fazer o time crescer. Tanto que, com a vitória por 1 a 0 sobre o Atlético-MG em Sete Lagoas por 1 a 0, a equipe do Morumbi assumiu a liderança isolada do Campeonato Brasileiro com nove pontos, dois a mais que os rivias Palmeiras e Corinthians.

O que teria mudado em tão pouco tempos? Para o atacante Dagoberto, o time resolveu encarar a realidade e modificou radicalmente a sua postura.

- Estamos dando a resposta porque paramos de falar e estamos mostrando dentro de campo. Não adianta ficar dando desculpa. Contra o Atlético-MG, fizemos um bom jogo no primeiro tempo. Quando o resultado vem, é tudo uma maravilha. Mas temos de continuar com humildade, manter os pés no chão. Ainda estamos longe de conquistar alguma coisa – afirmou o camisa 25.

Ceni é abraçado pelos zagueiros ao final da partida contra o Atlético-MG (Foto: Marcelo Prado / GLOBOESPORTE.COM)Xandão, Bruno Uvini e Luiz Eduardo abraçam Rogério Ceni após o jogo em Sete Lagoas. Tricolor reagiu após queda na Copa do Brasil e assumiu a ponta do Brasileirão (Foto: Marcelo Prado / GLOBOESPORTE.COM)

Já para o goleiro Rogério Ceni, os garotos que entraram no time têm papel fundamental no crescimento da equipe.

- Não é fácil substituir caras consagrados. Quando você tem um time jovem e desfigurado, o que faz a diferença é o coração e isso sobra para essa molecada que está jogando. Isso é muito legal, eu já tive a idade deles e sei o que é o desejo de ser titular e querer fazer história. Depois de uma eliminação sofrida e inaceitável como a que foi contra o Avaí, esses garotos são os responsáveis para fazerem o time crescer – lembrou o capitão são-paulino.

O técnico Paulo César Carpegiani, por sua vez, lembrou que os resultados positivos dão a tranquilidade necessária para o time seguir o seu trabalho de renovação.

- Estamos reformulando a equipe durante a temporada e essas vitórias nos dão tranquilidade e motivação para seguir esse caminho. Mas é bom saber que não está nada ganho, precisa crescer e melhorar muito mais – lembrou.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ronaldo diz que esta com frio na barriga na vespera da despedida

As homenagens começaram. Ronaldo recebeu, nesta segunda-feira, em São Paulo, um relógio de luxo personalizado da CBF fabricado pelo novo patrocinador da entidade. O objeto foi entregue pelo presidente Ricardo Teixeira durante uma solenidade no hotel em que a Seleção está concentrada para o amistoso contra a Romênia, partida que marca a despedida oficial do Fenômeno.

Em uma rápida coletiva, Ronaldo afirmou estar emocionado e ansioso para o jogo no Pacaembu, nesta terça-feira, às 21h50m (de Brasília).

- Estou me tremendo todo de nervoso, de emocionado. Lógico que seria um sonho me despedir fazendo gol. Para isso, eu já comentei com os meus colegas, amigos da Seleção, que chegou dentro da área é para cair. E ainda tenho que fazer o pênalti, o que não é fácil. Estou feliz, emocionado de encerrar essa etapa da minha vida com a Seleção. É um aprendizado grande e vamos ver. Não tenho que fazer nenhuma graça, não tenho que demonstrar nesse jogo o quão bom eu fui em toda a minha carreira. Só tenho a agradecer ao povo brasileiro pelo apoio, que sempre me deu incondicionalmente - disse.

O Fenômeno garantiu não estar preparado para a despedida oficial pela Seleção Brasileira.

- Não estou. Até porque mesmo estando muito envolvido não sei o que vai acontecer no intervalo, esconderam um monte de coisas. A minha emoção maior vai estar dentro de campo. Me perdoem se em algum momento a bola for lançada para mim e eu estiver olhando para outro lugar - brincou.

O ex-atacante brincou também quando foi questionado se gostaria de responder alguma pergunta que ainda não havia sido feita em coletivas anteriores.

- Essa já foi uma pergunta que não perguntaram (se não estou mais magro). Vocês não estão me achando mais magro, não?- disse sorrindo.

Ronaldo chega em hotel para receber homenagem pela Seleção (Foto: Marcos Ribolli / GLOBOESPORTE.COM)Ronaldo na chegada ao hotel para receber a homenagem (Foto: Marcos Ribolli / GLOBOESPORTE.COM)

Um painel de cerca de cinco metros de altura por sete metros de comprimento com a mensagem "Valeu Ronaldo" junto com uma foto do Fenômeno sorrindo foi colocado no local da homenagem.

- É apenas uma lembrança por tudo o que o Ronaldo fez pela Seleção Brasileira em todos esses anos - disse o presidente Ricardo Teixeira.

Ronaldo agradeceu o presente e falou sobre a sua relação com a Seleção Brasileira.

- Todo mundo sabe a minha relação com a Seleção Brasileira. E estar aqui é como estar no exército brasileiro em uma guerra representando o meu país. E minha história pela Seleção Brasileira foi isso. E só tenho a agradecer. Minha história teve muitas vitórias e a seleção desde o início abriu portas para o meu futuro. Só tenho a agradecer.

O presidente do Corinthians, Andrés Sanches, também esteve no local para acompanhar a solenidade. E acabou sendo alvo de uma brincadeira do Fenômeno.

- O Andrés já está de olho no meu relógio. Tenho que tomar cuidado - brincou Ronaldo.

Antes de receber a homenagem, Ronaldo encontrou com os jogadores da Seleção Brasileira durante o almoço, no refeitório da concentração. Durante cerca de 20 minutos, ele ficou conversando com os antigos companheiros em um clima bastante descontraído.

Nesta terça-feira, dia do jogo com a Romênia, o Fenômeno vai ficar em campo por apenas 15 minutos. Segundo o técnico Mano Menezes, a ideia é colocar o camisa 9 aos 30 minutos do primeiro tempo e deixá-lo até o final da etapa. No intervalo, ele receberá outra homenagem da CBF, diante da torcida.

Aos 34 anos, Ronaldo disputou 104 jogos pela Seleção principal marcando 67 gols. Ele estreou aos 17 anos em 1994, com o técnico Carlos Alberto Parreira, na vitória por 2 a 0 sobre a Argentina, em Recife, substituindo Bebeto aos 35 minutos do segundo tempo. O Fenômeno tem um balanço positivo com a camisa amarelinha: 73 vitórias, 22 empates e 9 derrotas. Nas 104 oportunidades em que Ronaldo esteve em campo, a Seleção só deixou de fazer gol em 13, a última delas justamente na derrota para a França no Mundial 2006.


Fonte: Globoesporte.com

domingo, 5 de junho de 2011

Ronaldo se despedi do Futebol na proxima terça feira

“Vai ser de arrepiar, de chorar”. É com essas palavras que Ronaldo descreve a sensação de dar adeus à Seleção. Três vezes eleito o melhor jogador do mundo (1996, 1997 e 2002), o Fenômeno se despede da Seleção Brasileira na próxima terça-feira, no amistoso contra a Romênia, em São Paulo. Em entrevista exclusiva ao jornalista Paulo Cesar Vasconcellos, o atacante se prepara para despertar de um sonho que vive há 18 anos.

- A minha história com a Seleção foi um sonho maravilhoso que eu vivi. Foi o momento mais feliz e a camisa mais importante que eu vesti na minha trajetória. A Seleção me deu uma popularidade, me deu um status, me deu orgulho. A minha carreira lá dentro foi brilhante - disse ao "SporTV Repórter".

Maior artilheiro em Copas, com 15 gols, o atacante deve jogar durante 15 minutos e prevê a emoção que deve sentir ao ouvir o Pacaembu lotado gritando o seu nome.

- Vai ser muito emocionante, vai ser de arrepiar, de chorar, de tudo. Mas estarei sempre próximo, junto. A Seleção Brasileira representa tanto para mim, me identifico tanto que não tem como me separar definitivamente.

Há quatro meses sem jogar, o Fenômeno garantiu que está treinando para não fazer feio com a camisa amarelinha e fechar a parceria de sucesso marcando um gol. Brincalhão, Ronaldo sabe a importância do jogo, apesar de ser um amistoso, e brinca:

- Imagina o Neymar me mandando correr.

Infância humilde em São Cristóvão

Apaixonado por futebol desde cedo, Ronaldo começou a carreira no futebol de salão, no Clube Valqueire, no bairro de mesmo nome, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Depois de fazer sucesso nas quadras, o Fenômeno resolveu se transferir para o futebol de campo.

- A passagem pelo futebol de salão foi incrível e determinante, importantíssima na minha vida. Eu acho que todo atleta deveria começar lá. Você aproveita todos os fundamentos básicos do futebol de salão, absolutamente todos, no campo.

Ronaldo São Cristovão (Foto: Divulgação)Ronaldo em frente à entrada do São Cristóvão,
clube que o revelou nos campos (Foto: Divulgação)

Flamenguista, ele tentou ir para o clube do coração. Mas o custo para chegar até à Gávea – eram quatro passagens diárias - e as inúmeras peneiras do Rubro-Negro fizeram com que o atacante fosse para o São Cristóvão. Mais próximo de sua casa. Mas, foi anos depois, no Cruzeiro, que ele percebeu que a carreira poderia dar certo.

- Com 15 anos você ainda sonha muito, sonha em chegar muito mais longe. Mas foi no Cruzeiro que eu percebi que ia vingar. Eu comecei a receber uma estrutura muito melhor do que eu tinha, então comecei a evoluir, a me desenvolver melhor.

Passagem pela Europa

Pensando em fazer sucesso pela Europa e seguir a trilha do ídolo Romário, Ronaldo foi contratado pelo PSV, da Holanda. Acostumado com o clima brasileiro, a adaptação do jovem de apenas 17 anos foi difícil, mas o aprendizado compensou as dificuldades que passou.

- Naquela época o que me motivou para passar por aquele desafio foi o Romário ter passado pelo PSV. Na época ele estava no Barcelona. Aquilo me incentivou a seguir o mesmo caminho dele. Quem sabe depois eu não vou para outro clube também, pensei.

E deu certo. Nos anos seguintes, o atacante passou pelo Barcelona, Inter de Milão, Real Madrid e Milan. Brlhou nas equipes que passou, mas garante que nunca deixou o sucesso subir à cabeça.

- Eu sempre fui muito crítico comigo. Eu sempre via meus jogos no dia seguinte para me criticar, para ver o que eu fazia de certo e o que podia melhorar. Essa vaidade de pensar 'já consegui tudo, já cheguei ao máximo', eu nunca pensei isso. Sempre fui dando passo a passo querendo melhorar, sempre fui o maior crítico comigo mesmo.

A volta para o Brasil

Depois do Milan, Ronaldo voltou ao Brasil e passou a treinar no Flamengo, seu clube do coração. Mas foi o Corinthians que acertou com o atacante. Na passagem pelo Timão, o Fenômeno conquistou o Paulista e a Copa do Brasil, ambos em 2009, ano de seu retorno.

Não poderia ter morrido sem conhecer um bando de loucos, que realmente é um bando fantástico. (...) Essa parceria com o Corinthians foi maravilhosa. "
Ronaldo

- Foi maravilhoso, foi fantástico. Eu juro que não poderia ter morrido sem (voltar a) jogar no Brasil. Não poderia ter morrido sem conhecer um bando de loucos, que realmente é um bando fantástico, que apoia, que cobra, que xinga, que chora, mas que é um torcedor fiel realmente. Essa parceria com o Corinthians foi maravilhosa. Eu só tenho que agradecer por essa oportunidade.

Após a eliminação do Timão da Libertadores-2011 e com problemas físicos, Ronaldo anunciou a aposentadoria, em fevereiro.

- Eu não conseguia falar direito. Eu fui no meio do campo anunciar para os jogadores, antes de anunciar para a imprensa, que não dava mais. Eu não conseguia falar, eu só falei: ‘Estou aposentando, obrigado a vocês que me ajudaram esse tempo todo, que correram por mim’ – brincou.

As contusões

O ídolo lutou muito para superar lesões durante sua carreira. Em 2000, pelo Internazionale, Ronaldo sofreu uma grave lesão no joelho e rompeu o tendão. Depois da cirurgia, foram cinco meses de recuperação. No jogo de volta aos gramados, contra o Lazio, na final da Copa da Itália, o atacante se lesionou novamente. Após sete minutos em campo, ele rompeu o tendão do joelho direito completamente. Ronaldo teria que operar novamente e a previsão seria de muitos meses de tratamento. Apesar da descrença de muitos, ele nunca colocou em dúvida a possibilidade de voltar a jogar.

- Eu sempre fui tão otimista e me dava medo pensar o contrário. Não por questões financeiras, porque eu já tinha ganho muito dinheiro e podia viver tranquilo com o que tinha. Mas era amor mesmo, é paixão por futebol e respirar aquilo, gostar daquilo. Ouvi muitos diagnósticos desesperadores. De ir para casa e chorar, chorar e chorar. Eu chorei muito.

Foram 19 meses de recuperação até a volta aos gramados. Que seria coroada com o título da Copa do Mundo de 2002, quando foi determinante, fazendo gois gols na decisão contra Alemanha e acabando como artilheiro do torneio, com oito tentos.

A Seleção Brasileira

A trajetória de Ronaldo com a camisa amarelinha começou em 1993. Convocado para a Copa de 1994, aos 17 anos, o atacante não saiu do banco de reservas durante o Mundial e relembra com carinho o contato com os ídolos.

- Em 94 eu servia cafezinho para o Romário, pegava a chuteira dele. Os caras zoavam o novato, o calouro. Mas eu fazia com maior prazer, eu estava tendo uma aula com os melhores professores do mundo e eu aprendi muito com aquelas feras.

Depois de uma ótima temporada no Barcelona, Ronaldo foi para a Copa de 98 como a estrela do time brasileiro. Ele marcou cinco gols com a camisa 9, mas, horas antes da final contra a França, sofreu uma convulsão. Apesar do mal súbito, ele tentou de tudo para participar do jogo decisivo.

- Depois de tudo que aconteceu no hotel, eu saí correndo falando com o médico: ‘Vamos ver se tem alguma coisa, se não tiver eu vou para o jogo’. Os exames foram todos perfeitos. Era como se não tivesse acontecido nada comigo naquele hotel. Cheguei no vestiário e não deu tempo de falar com ninguém, cheguei colocando a roupa e as pessoas ficaram me olhando. Eu falei: 'Está tudo bem, vamos para o jogo. Temos que ganhar isso.'

O resultado final, porém, não foi o esperado. A França venceu o Brasil por 3 a 0, e foi campeã pela primeira vez.

- A verdade é que independentemente do que aconteceu comigo, a França jogou como nunca, atropelou a gente em todos os sentidos, em todos os momentos do jogo.

ronaldo brasil final da copa do mundo 2002 (Foto: Ivo Gonzalez / O Globo)Fenômeno comemora o pentacampeonato após vitória
sobre a Alemanha(Foto: Ivo Gonzalez / O Globo)

Em 2002, depois de meses parado se recuperando de lesões no joelho, Ronaldo foi convocado por Felipão. O Fenômeno marcou oito gols – sendo dois na final contra a Alemanha – e foi o nome do Brasil na conquista do pentacampeonato. Apesar da brilhante atuação no Mundial, o corte de cabelo no estilo ‘Cascão’ também chamou a atenção em Ronaldo.

- O cabelo me ajudou muito na semifinal (contra a Turquia). Eu estava com uma dor muito grande na coxa na véspera da semifinal. Todo mundo só falava da contusão, que eu não ia jogar. Eu virei dúvida naquele momento. No último treino eu fiz o cabelo e ai todo mundo só falava do cabelo. Esqueceram da minha lesão. Eu fui para o jogo, joguei mal para caramba, mas fiz o gol da classificação de bico, estilo Romário.

Após a conquista na Copa do Japão e da Coreia do Sul, o Brasil tentou o hexacampeonato no Mundial de 2010, na Alemanha, mas foi eliminado precocemente pela França. Ronaldo disputou lá sua última Copa e a derrota por 1 a 0 para a França foi sua última partida pela Seleção. Mas a última página de sua história com a amarelinha será contra a Romênia, na próxima terça-feira, em São Paulo.