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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ronaldo diz que esta com frio na barriga na vespera da despedida

As homenagens começaram. Ronaldo recebeu, nesta segunda-feira, em São Paulo, um relógio de luxo personalizado da CBF fabricado pelo novo patrocinador da entidade. O objeto foi entregue pelo presidente Ricardo Teixeira durante uma solenidade no hotel em que a Seleção está concentrada para o amistoso contra a Romênia, partida que marca a despedida oficial do Fenômeno.

Em uma rápida coletiva, Ronaldo afirmou estar emocionado e ansioso para o jogo no Pacaembu, nesta terça-feira, às 21h50m (de Brasília).

- Estou me tremendo todo de nervoso, de emocionado. Lógico que seria um sonho me despedir fazendo gol. Para isso, eu já comentei com os meus colegas, amigos da Seleção, que chegou dentro da área é para cair. E ainda tenho que fazer o pênalti, o que não é fácil. Estou feliz, emocionado de encerrar essa etapa da minha vida com a Seleção. É um aprendizado grande e vamos ver. Não tenho que fazer nenhuma graça, não tenho que demonstrar nesse jogo o quão bom eu fui em toda a minha carreira. Só tenho a agradecer ao povo brasileiro pelo apoio, que sempre me deu incondicionalmente - disse.

O Fenômeno garantiu não estar preparado para a despedida oficial pela Seleção Brasileira.

- Não estou. Até porque mesmo estando muito envolvido não sei o que vai acontecer no intervalo, esconderam um monte de coisas. A minha emoção maior vai estar dentro de campo. Me perdoem se em algum momento a bola for lançada para mim e eu estiver olhando para outro lugar - brincou.

O ex-atacante brincou também quando foi questionado se gostaria de responder alguma pergunta que ainda não havia sido feita em coletivas anteriores.

- Essa já foi uma pergunta que não perguntaram (se não estou mais magro). Vocês não estão me achando mais magro, não?- disse sorrindo.

Ronaldo chega em hotel para receber homenagem pela Seleção (Foto: Marcos Ribolli / GLOBOESPORTE.COM)Ronaldo na chegada ao hotel para receber a homenagem (Foto: Marcos Ribolli / GLOBOESPORTE.COM)

Um painel de cerca de cinco metros de altura por sete metros de comprimento com a mensagem "Valeu Ronaldo" junto com uma foto do Fenômeno sorrindo foi colocado no local da homenagem.

- É apenas uma lembrança por tudo o que o Ronaldo fez pela Seleção Brasileira em todos esses anos - disse o presidente Ricardo Teixeira.

Ronaldo agradeceu o presente e falou sobre a sua relação com a Seleção Brasileira.

- Todo mundo sabe a minha relação com a Seleção Brasileira. E estar aqui é como estar no exército brasileiro em uma guerra representando o meu país. E minha história pela Seleção Brasileira foi isso. E só tenho a agradecer. Minha história teve muitas vitórias e a seleção desde o início abriu portas para o meu futuro. Só tenho a agradecer.

O presidente do Corinthians, Andrés Sanches, também esteve no local para acompanhar a solenidade. E acabou sendo alvo de uma brincadeira do Fenômeno.

- O Andrés já está de olho no meu relógio. Tenho que tomar cuidado - brincou Ronaldo.

Antes de receber a homenagem, Ronaldo encontrou com os jogadores da Seleção Brasileira durante o almoço, no refeitório da concentração. Durante cerca de 20 minutos, ele ficou conversando com os antigos companheiros em um clima bastante descontraído.

Nesta terça-feira, dia do jogo com a Romênia, o Fenômeno vai ficar em campo por apenas 15 minutos. Segundo o técnico Mano Menezes, a ideia é colocar o camisa 9 aos 30 minutos do primeiro tempo e deixá-lo até o final da etapa. No intervalo, ele receberá outra homenagem da CBF, diante da torcida.

Aos 34 anos, Ronaldo disputou 104 jogos pela Seleção principal marcando 67 gols. Ele estreou aos 17 anos em 1994, com o técnico Carlos Alberto Parreira, na vitória por 2 a 0 sobre a Argentina, em Recife, substituindo Bebeto aos 35 minutos do segundo tempo. O Fenômeno tem um balanço positivo com a camisa amarelinha: 73 vitórias, 22 empates e 9 derrotas. Nas 104 oportunidades em que Ronaldo esteve em campo, a Seleção só deixou de fazer gol em 13, a última delas justamente na derrota para a França no Mundial 2006.


Fonte: Globoesporte.com

domingo, 5 de junho de 2011

Ronaldo se despedi do Futebol na proxima terça feira

“Vai ser de arrepiar, de chorar”. É com essas palavras que Ronaldo descreve a sensação de dar adeus à Seleção. Três vezes eleito o melhor jogador do mundo (1996, 1997 e 2002), o Fenômeno se despede da Seleção Brasileira na próxima terça-feira, no amistoso contra a Romênia, em São Paulo. Em entrevista exclusiva ao jornalista Paulo Cesar Vasconcellos, o atacante se prepara para despertar de um sonho que vive há 18 anos.

- A minha história com a Seleção foi um sonho maravilhoso que eu vivi. Foi o momento mais feliz e a camisa mais importante que eu vesti na minha trajetória. A Seleção me deu uma popularidade, me deu um status, me deu orgulho. A minha carreira lá dentro foi brilhante - disse ao "SporTV Repórter".

Maior artilheiro em Copas, com 15 gols, o atacante deve jogar durante 15 minutos e prevê a emoção que deve sentir ao ouvir o Pacaembu lotado gritando o seu nome.

- Vai ser muito emocionante, vai ser de arrepiar, de chorar, de tudo. Mas estarei sempre próximo, junto. A Seleção Brasileira representa tanto para mim, me identifico tanto que não tem como me separar definitivamente.

Há quatro meses sem jogar, o Fenômeno garantiu que está treinando para não fazer feio com a camisa amarelinha e fechar a parceria de sucesso marcando um gol. Brincalhão, Ronaldo sabe a importância do jogo, apesar de ser um amistoso, e brinca:

- Imagina o Neymar me mandando correr.

Infância humilde em São Cristóvão

Apaixonado por futebol desde cedo, Ronaldo começou a carreira no futebol de salão, no Clube Valqueire, no bairro de mesmo nome, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Depois de fazer sucesso nas quadras, o Fenômeno resolveu se transferir para o futebol de campo.

- A passagem pelo futebol de salão foi incrível e determinante, importantíssima na minha vida. Eu acho que todo atleta deveria começar lá. Você aproveita todos os fundamentos básicos do futebol de salão, absolutamente todos, no campo.

Ronaldo São Cristovão (Foto: Divulgação)Ronaldo em frente à entrada do São Cristóvão,
clube que o revelou nos campos (Foto: Divulgação)

Flamenguista, ele tentou ir para o clube do coração. Mas o custo para chegar até à Gávea – eram quatro passagens diárias - e as inúmeras peneiras do Rubro-Negro fizeram com que o atacante fosse para o São Cristóvão. Mais próximo de sua casa. Mas, foi anos depois, no Cruzeiro, que ele percebeu que a carreira poderia dar certo.

- Com 15 anos você ainda sonha muito, sonha em chegar muito mais longe. Mas foi no Cruzeiro que eu percebi que ia vingar. Eu comecei a receber uma estrutura muito melhor do que eu tinha, então comecei a evoluir, a me desenvolver melhor.

Passagem pela Europa

Pensando em fazer sucesso pela Europa e seguir a trilha do ídolo Romário, Ronaldo foi contratado pelo PSV, da Holanda. Acostumado com o clima brasileiro, a adaptação do jovem de apenas 17 anos foi difícil, mas o aprendizado compensou as dificuldades que passou.

- Naquela época o que me motivou para passar por aquele desafio foi o Romário ter passado pelo PSV. Na época ele estava no Barcelona. Aquilo me incentivou a seguir o mesmo caminho dele. Quem sabe depois eu não vou para outro clube também, pensei.

E deu certo. Nos anos seguintes, o atacante passou pelo Barcelona, Inter de Milão, Real Madrid e Milan. Brlhou nas equipes que passou, mas garante que nunca deixou o sucesso subir à cabeça.

- Eu sempre fui muito crítico comigo. Eu sempre via meus jogos no dia seguinte para me criticar, para ver o que eu fazia de certo e o que podia melhorar. Essa vaidade de pensar 'já consegui tudo, já cheguei ao máximo', eu nunca pensei isso. Sempre fui dando passo a passo querendo melhorar, sempre fui o maior crítico comigo mesmo.

A volta para o Brasil

Depois do Milan, Ronaldo voltou ao Brasil e passou a treinar no Flamengo, seu clube do coração. Mas foi o Corinthians que acertou com o atacante. Na passagem pelo Timão, o Fenômeno conquistou o Paulista e a Copa do Brasil, ambos em 2009, ano de seu retorno.

Não poderia ter morrido sem conhecer um bando de loucos, que realmente é um bando fantástico. (...) Essa parceria com o Corinthians foi maravilhosa. "
Ronaldo

- Foi maravilhoso, foi fantástico. Eu juro que não poderia ter morrido sem (voltar a) jogar no Brasil. Não poderia ter morrido sem conhecer um bando de loucos, que realmente é um bando fantástico, que apoia, que cobra, que xinga, que chora, mas que é um torcedor fiel realmente. Essa parceria com o Corinthians foi maravilhosa. Eu só tenho que agradecer por essa oportunidade.

Após a eliminação do Timão da Libertadores-2011 e com problemas físicos, Ronaldo anunciou a aposentadoria, em fevereiro.

- Eu não conseguia falar direito. Eu fui no meio do campo anunciar para os jogadores, antes de anunciar para a imprensa, que não dava mais. Eu não conseguia falar, eu só falei: ‘Estou aposentando, obrigado a vocês que me ajudaram esse tempo todo, que correram por mim’ – brincou.

As contusões

O ídolo lutou muito para superar lesões durante sua carreira. Em 2000, pelo Internazionale, Ronaldo sofreu uma grave lesão no joelho e rompeu o tendão. Depois da cirurgia, foram cinco meses de recuperação. No jogo de volta aos gramados, contra o Lazio, na final da Copa da Itália, o atacante se lesionou novamente. Após sete minutos em campo, ele rompeu o tendão do joelho direito completamente. Ronaldo teria que operar novamente e a previsão seria de muitos meses de tratamento. Apesar da descrença de muitos, ele nunca colocou em dúvida a possibilidade de voltar a jogar.

- Eu sempre fui tão otimista e me dava medo pensar o contrário. Não por questões financeiras, porque eu já tinha ganho muito dinheiro e podia viver tranquilo com o que tinha. Mas era amor mesmo, é paixão por futebol e respirar aquilo, gostar daquilo. Ouvi muitos diagnósticos desesperadores. De ir para casa e chorar, chorar e chorar. Eu chorei muito.

Foram 19 meses de recuperação até a volta aos gramados. Que seria coroada com o título da Copa do Mundo de 2002, quando foi determinante, fazendo gois gols na decisão contra Alemanha e acabando como artilheiro do torneio, com oito tentos.

A Seleção Brasileira

A trajetória de Ronaldo com a camisa amarelinha começou em 1993. Convocado para a Copa de 1994, aos 17 anos, o atacante não saiu do banco de reservas durante o Mundial e relembra com carinho o contato com os ídolos.

- Em 94 eu servia cafezinho para o Romário, pegava a chuteira dele. Os caras zoavam o novato, o calouro. Mas eu fazia com maior prazer, eu estava tendo uma aula com os melhores professores do mundo e eu aprendi muito com aquelas feras.

Depois de uma ótima temporada no Barcelona, Ronaldo foi para a Copa de 98 como a estrela do time brasileiro. Ele marcou cinco gols com a camisa 9, mas, horas antes da final contra a França, sofreu uma convulsão. Apesar do mal súbito, ele tentou de tudo para participar do jogo decisivo.

- Depois de tudo que aconteceu no hotel, eu saí correndo falando com o médico: ‘Vamos ver se tem alguma coisa, se não tiver eu vou para o jogo’. Os exames foram todos perfeitos. Era como se não tivesse acontecido nada comigo naquele hotel. Cheguei no vestiário e não deu tempo de falar com ninguém, cheguei colocando a roupa e as pessoas ficaram me olhando. Eu falei: 'Está tudo bem, vamos para o jogo. Temos que ganhar isso.'

O resultado final, porém, não foi o esperado. A França venceu o Brasil por 3 a 0, e foi campeã pela primeira vez.

- A verdade é que independentemente do que aconteceu comigo, a França jogou como nunca, atropelou a gente em todos os sentidos, em todos os momentos do jogo.

ronaldo brasil final da copa do mundo 2002 (Foto: Ivo Gonzalez / O Globo)Fenômeno comemora o pentacampeonato após vitória
sobre a Alemanha(Foto: Ivo Gonzalez / O Globo)

Em 2002, depois de meses parado se recuperando de lesões no joelho, Ronaldo foi convocado por Felipão. O Fenômeno marcou oito gols – sendo dois na final contra a Alemanha – e foi o nome do Brasil na conquista do pentacampeonato. Apesar da brilhante atuação no Mundial, o corte de cabelo no estilo ‘Cascão’ também chamou a atenção em Ronaldo.

- O cabelo me ajudou muito na semifinal (contra a Turquia). Eu estava com uma dor muito grande na coxa na véspera da semifinal. Todo mundo só falava da contusão, que eu não ia jogar. Eu virei dúvida naquele momento. No último treino eu fiz o cabelo e ai todo mundo só falava do cabelo. Esqueceram da minha lesão. Eu fui para o jogo, joguei mal para caramba, mas fiz o gol da classificação de bico, estilo Romário.

Após a conquista na Copa do Japão e da Coreia do Sul, o Brasil tentou o hexacampeonato no Mundial de 2010, na Alemanha, mas foi eliminado precocemente pela França. Ronaldo disputou lá sua última Copa e a derrota por 1 a 0 para a França foi sua última partida pela Seleção. Mas a última página de sua história com a amarelinha será contra a Romênia, na próxima terça-feira, em São Paulo.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Pablo Giovani


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Vasco vence o coritiba por 1a0 e esta a um empate do Titulo da Copa do Brasil

por GLOBOESPORTE.COM

Depois de passar três jogos sem conseguir vencer em seus domínios pela Copa do Brasil - contra Náutico (0 a 0), Atlético-PR (1 a 1) e Avaí (1 a 1) -, o Vasco finalmente fez o dever de casa. E no melhor momento possível. Na noite desta quarta-feira, em São Januário, o time venceu o Coritiba por 1 a 0 no primeiro jogo da final da Copa do Brasil (assista ao gol no vídeo ao lado). Com muitas dificuldades para controlar a afobação e o nervosismo no primeiro tempo, o time comandado por Ricardo Gomes contou com um gol de Alecsandro para sair na frente na finalíssima.

Agora, o Vasco precisa de um empate no jogo de volta, quarta-feira que vem, no Couto Pereira, em Curitiba, às 21h50m (de Brasília), para conquistar o título inédito e voltar à Taça Libertadores. Depois de atingir nesta temporada a maior sequência de vitórias na história do futebol brasileiro (24), o Coxa caiu de produção depois da goleada de 6 a 0 sobre o Palmeiras e agora terá de reencontrar o seu melhor jogo para vencer por dois gols de diferença e dar a volta olímpica que também seria inédita. O seu estádio lotado é uma das apostas para a virada, e a pressão nos minutos finais do jogo no Rio pode ter sido um bom sinal. A equipe alviverde não vence há quatro partidas: Palmeiras (2 a 0), Atlético-GO (1 a 0), Corinthians (2 a 1) e Vasco.

Antes, os dois times, provavelmente com reservas, se enfrentam no fim de semana pelo Campeonato Brasileiro, domingo, às 16h (de Brasília), também no Couto Pereira.

vasco x coritiba alecsandro gol (Foto: Marcelo de Jesus/Globoesporte.com)Alecsandro comemora o gol homenagenado o pai, Lela (Foto: Marcelo de Jesus/Globoesporte.com)

A euforia vista em São Januário lembrou os jogos da Libertadores de 1998, quando o Vasco fez do estádio o seu caldeirão para conquistar o título. O folclórico torcedor Mister M, presente em todas as partidas daquela conquista, voltou com força total e ganhou a companhia de um torcedor fantasiado de Elvis Presley, com direito a guitarra e afins. A presença das belas gêmeas do nado sincronizado, Bia e Branca Feres; do ídolo Geovani; do ator Rodrigo Hilbert; do velejador paraolímpico Lars Grael; ex-zagueiro Odvan; e do ex-BBB Kadu formava uma imensa panela de pressão num dia diferente. Afinal, depois de alguns anos, o Vasco estava de novo numa final importante.

Mas, antes do duelo, os velhos problemas do futebol brasileiro. O ônibus do Coritiba foi alvejado por uma pedra na chegada da delegação a São Januário. Ninguém ficou ferido, e a polícia não conseguiu prender o responsável pela agressão. A entrada dos torcedores também foi bastante confusa nos portões 18 e 5. Além disso, a quantidade de ingressos falsos foi grande. Vários torcedores foram impedidos de entrar. Um funcionário usava alto-falante para alertar o público do problema.

Muita tensão no ar

Com os nervos à flor da pele, os dois times começaram o jogo abusando das faltas e dos passes errados. Qualquer marcação da arbitragem gerava protestos e palavrões dos mais pesados. Ansiosa, a torcida do Vasco colocava uma forte energia em campo. E um dos únicos que conseguia absorver essa força no início era Felipe, que usou toda a sua experiência para colocar a bola no chão e fazer o time respirar. O meia vascaíno tabelava com facilidade e fazia o time rodar. Já pelo lado do Coritiba, a afobação se traduzia em muitos chutões que a zaga do Vasco conseguia anular. Às vezes, com dificuldade.

vasco x coritiba felipe (Foto: Luis Alvarenga / Globo )Abusando da experiência, Felipe comandou o time do Vasco em campo (Foto: Luis Alvarenga / Globo )

Fernando Prass teve que trabalhar em chute de Bill, e o Vasco deu o troco em bela jogada de Diego Souza, que costurou adversários dentro da área antes de bater para o salto de Edson Bastos. Aos poucos, o camisa 10 passou a chamar a responsabilidade e dar as conhecidas arrancadas. O Coritiba melhorou a partir do momento que Anderson Aquino passou a tocar mais na bola e tranquilizar o time, enquanto Bill incomodava os zagueiros vascaínos com muita luta, e Rafinha corria sem parar. O time paranaense aproveitava os espaços dados pelos donos da casa e, a partir dos 35 minutos até o primeiro tempo, passou a ter mais a bola no pé. Organizado, o Coxa trocou vários passes e quase marcou no fim do primeiro tempo, mas Bill não alcançou o cruzamento de Jonas.

Afobação, o principal problema dos dois times

Na saída para o intervalo, um jogador de cada lado apontou a afobação como responsável pelo empate parcial sem gols.

- O que não podemos é nos afobar. Temos de colocar a bola no chão - destacou Diego Souza, que teve a opinião compartilhada por Davi, do Coxa.

- Estamos muito afobados. Roubamos a bola na defesa e queremos sair de qualquer jeito. Assim não dá.

Gol de Alecsandro e homenagem ao pai

As palavras de Diego Souza foram ouvidas e compreendidas pelo time. Tanto que, logo aos cinco minutos, Diego, com tranquilidade, recebeu na intermediária e acionou Allan. O volante, que joga improvisado, mostrou talento dos grandes laterais ao cruzar na cabeça de Alecsandro, que fez com perfeição o seu dever de ofício: testou para o chão e abriu o placar para o Vasco: 1 a 0 e explosão na Colina. Na comemoração, Alecsandro homenageou o pai, Lela, e fez a careta, marca registrada do ex-atacante que, curiosamente, integrou o time do Coritiba campeão brasileiro em 1985.

O Coxa não sentiu o gol e criou duas boas chances em sequência. Na segunda, a mais perigosa delas, Fernando Prass teve que fazer defesa difícil após chute de Bill. Mas, aos poucos, as duas equipes passaram a sentir o desgaste, fruto do ritmo alucinante do primeiro tempo.

Pressão do Coxa no final

Bernando ainda ameaçou em cobrança de falta por cima do gol, e os visitantes arriscaram vários ataques rápidos que deixaram os vascaínos de cabelo em pé. A pressão foi muito grande, e aos 47 a bola quase entrou em conclusão de Emerson. Mas o time da Colina controlou os nervos para abrir vantagem na decisão. Agora é tudo ou nada no Couto Pereira.

VASCO 1 X 0 CORITIBA
Fernando Prass, Allan, Dedé, Anderson, Márcio Careca; Rômulo, Eduardo Costa, Felipe (Felipe Bastos), Bernardo e Diego Souza; Alecsandro (Elton). Edson Bastos, Jonas, Emerson, Demerson e Lucas Mendes; Willian, Léo Gago, Rafinha e Davi (Geraldo); Anderson Aquino (Marcos Paulo) e Bill (Leonardo).
Técnico: Ricardo Gomes Técnico: Marcelo Oliveira
Gols: Alecsandro, aos 5 minutos do segundo tempo
Público pagante: 17.922. Público presente: 21.365. Renda: R$ 756.765
Cartões amarelos: Anderson Aquino (Coritiba)
Local: São Januário, Rio de Janeiro. Data: 01/06/2011. Árbitro: Paulo Cesar Oliveira (SP-FIFA). Auxiliares: Carlos Berkenbrock (SC-FIFA) e Marcelo Carvalho Van Gasse (SP-FIFA).

Santos empata e vai pra final da Libertadores

Gol contra, defesas de Rafael, expulsão de Dracena. Peixe sai na frente, leva empate, sofre pressão, mas garante vaga na decisão da Libertadores

A final chegou! Os Meninos da Vila, comandados por Neymar, estão na decisão da Taça Libertadores. A vaga veio depois de muito sofrimento, num empate em 3 a 3 com o Cerro Porteño-PAR, nesta quarta-feira, em Assunção. Mas, enfim, é a chance de conquistar a competição mais cobiçada do continente, oito anos depois. Em 2003, o time de Diego e Robinho perdeu o título para o Boca Juniors. Agora, Neymar e seus "parças" tentarão levar o Alvinegro ao tão esperado tricampeonato continental - os dois primeiros foram em 1962 e 63, com Pelé em campo.

Mas para que a vaga viesse foi necessário sofrer muito. O anfitrião, apoiado por 25 mil torcedores incansáveis que lotaram o estádio General Pablo Rojas, fez trapalhadas e deu chances ao Peixe. O time da Vila Belmiro terminou o primeiro tempo vencendo por 3 a 1, uma vantagem que parecia bem confortável. Ilusão. A reação paraguaia na etapa final foi exemplar, mas insuficiente. O Alvinegro impediu a virada com sorte, competência, talento de Neymar e muita qualidade do goleiro Rafael. O Cerro teve seu esforço reconhecido: foi aplaudido ao fim da partida. O empate foi suficiente porque o Santos havia vencido o jogo de ida, no Pacaembu, quarta-feira retrasada, por 1 a 0.

O adversário santista na decisão sai do confronto entre Peñarol e Vélez Sarsfield, que fazem o jogo da volta nesta quinta-feira, às 21h50m (de Brasília), no estádio José Amalfitani, em Buenos Aires. A equipe uruguaia, que venceu a primeira partida por 1 a 0, no Centenário, joga com a vantagem do empate. O time argentino precisa vencer por diferença de dois gols, e o placar de 1 a 0 a seu favor levará a decisão da vaga para os pênaltis. Independentemente do adversário, o Peixe tem o direto de jogar a segunda partida em casa porque teve melhor campanha que as duas equipes na fase de gruupos. As finais estão previstas para os dias 15 e 22 de junho.

Para a decisão, a Conmebol exige um estádio com capacidade de, no mínimo, 40 mil lugares, o que descarta a Vila Belmiro. O duelo decisivo pode ser no Pacaembu, onde o Peixe já jogou agumas vezes nesta temporada, ou no Morumbi, onde o time decidiu a Libertadores de 2003.

Sorte e competência ao Santos

Talvez nem o mais otimista dos santistas pudesse prever um primeiro tempo como o desta quarta-feira. Um gol rápido, que esmoreceu o Cerro Porteño. Um gol de Zé Eduardo. Ele mesmo, criticado nas últimas partidas, completou cruzamento de Elano e acabou com um jejum de 14 jogos: dez pela Taça Libertadores e quatro pelo Paulista.

ze eduardo love santos x cerro porteño (Foto: Agência Reuters)Jogadores comemoram o gol de Zé Love, o primeiro do Santos na partida (Foto: Agência Reuters)

A torcida azulgrana, que fez uma linda festa antes do início da partida, murchou. O otimismo paraguaio foi por terra logo aos dois minutos. Sorte do Santos. Superior tecnicamente, o time alvinegro passou a ter campo para jogar. O Cerro se abriu. Havia um enorme espaço entre os meias e a zaga da equipe de Assunção. Por ali, Danilo e Arouca circulavam livres.

Neymar, até então, não havia acertado lances. Trocava de posições com Zé Eduardo, mas ainda não havia conseguido uma jogada mais incisiva. O Cerro foi para o abafa. O técnico Leonardo Astrada mexeu com apenas dez minutos. Sacou Torres para a entrada do meia argentino Iturbe, lançando o time à frente.

De repente, um chutão. Edu Dracena mandou a bola para cima para afastar o perigo. Não tinha a menor intenção de armar alguma coisa. Só que ela pingou à frente de Neymar. Antes do atacante alcançar, Pedro Benítez tocou de cabeça para o goleiro Barreto. Era só encaixar, mas o camisa 1, numa espanada bisonha, mandou a bola para dentro da sua própria meta. 2 a 0. Agora, o Cerro precisaria de quatro gols. E o goleiro foi anotado na súmula como o autor do gol.

A situação do Peixe era confortável. A do Cerro, desesperadora. Mas um sopro de esperança percorreu as lotadas arquibancadas da Olla Azulgrana, como o estádio do Cerro é conhecido, quando Iturbe cobrou escanteio para César Benítez escorar de cabeça, sozinho. A zaga santista ficou olhando. Neste momento, o estádio "explodiu":

- Si, se puede (sim, é possível)!

Astrada, então, foi para o tudo ou nada. Tirou o volante Burgos e colocou o atacante Lucero. Uma mudança suicida. Abriu-se um imenso buraco atrás da linha média paraguaia. Foi nesse espaço vazio que Arouca arrancou livre para armar a jogada do terceiro gol, marcado por Neymar. Nesse momento, a vaga santista na final da Libertadores era questão de tempo. De 45 minutos e mais os acréscimos.

 santos x cerro porteño neymar (Foto: EFE)Neymar marca e comemora. A vaga santista na final estava ficando encaminhada (Foto: EFE)

Pressão: não podia ser tão fácil

Era natural que o Cerro Porteño voltasse para o segundo tempo em cima do Santos. O que não foi normal foi a forma como o Peixe aceitou a pressão. Abusando dos chutões, o time da Vila Belmiro não conseguia acertar dois passes seguidos para sair de trás. O domínio paraguaio logo resultaria em gol, marcado por Lucero.

O jogo da equipe paraguaia se concentrava do lado direito, em cima de Alex Sandro. Havia muito espaço para o contra-ataque santista. O que não havia era qualidade no passe nas saídas de bola. Neymar e Zé Eduardo, longe demais um do outro, não se encontravam em campo. Assim, era Cerro em cima. Cruzamentos na área santista. Um atrás do outro. E o Peixe se segurando.

Para tentar aumentar o poder de marcação de sua equipe e roubar alguma bola no meio, Muricy Ramalho tirou Elano, que já não conseguia armar nada, e colocou Possebon. Em seguida, substituiu Zé Eduardo por Maikon Leite. A estratégia era clara: roubar a bola e explorar os dois velozes jogadores de frente.

A mudança melhorou a marcação santista, mas acabou com o poder de armação de jogadas. Muricy acreditava que Arouca pudesse sair de trás com a bola dominada, como no lance do terceiro gol. O volante, porém, foi mais um a ficar lá atrás, rebatendo bolas. Neymar e Maikon, sozinhos na frente, só viam a bola de longe. Virou um treino de ataque contra a defesa. Faltava ao Cerro, porém, mais qualidade nas conclusões. Quando o time paraguaio conseguiu invadir a área santista, Rafael apareceu. Aos 33, num lance crucial, ele salvou um chute de Cáceres, dividindo a jogada com o adversário usando a mão esquerda. Jogada corajosa.

A pressão era tanta que a defesa alvinegra sucumbiu aos 36. Como entrar na área adversária estava difícil, Fabbro recebeu na meia esquerda, livrou-se de dois marcadores e mandou a bomba certeira de fora. Um golaço! A vantagem do Peixe ainda era enorme, mas foi um baque. Desde que Muricy Ramalho assumiu o comando da equipe, há 15 partidas, o time ainda não havia sofrido sequer dois gols num jogo só.

Virou drama. Jogo de Libertadores. No momento em que o Santos tentava o desafogo, cavando uma falta na entrada da área, Muricy caiu no chão após ser atingido na cabeça por um objeto. Ele chegou a se ajoelhar por causa da dor e precisou de gelo no local. Faltavam dois gols para o Cerro. Cabia ao Peixe segurar os paraguaios. Para aumentar ainda mais a carga dramática do jogo, Neymar ainda acertou a trave na cobrança dessa falta.

Mas o Cerro devolveu carimbando o travessão aos 48, com Cáceres, pouco depois de Neymar finalizar nas mãos de Barreto. O jogo foi quente até os últimos segundos. Edu Dracena ainda foi expulso. E Rafael, no minuto final, segurou o último chute de Fabbro. Ufa! Apito final e a vaga garantida.

CERRO PORTEÑO-PAR 3 X 3 SANTOS
Barreto, Piris, Uglessich, Pedro Benítez e César Benítez; Cáceres, Júlio dos Santos, Burgos (Juan Lucero) e Ivan Torres (Iturbe); Fabbro e Bareiro (Nani) Rafael, Jonathan (Pará), Edu Dracena, Durval e Alex Sandro; Adriano, Arouca, Danilo e Elano (Possebon); Neymar e Zé Eduardo (Maikon Leite)
Técnico: Leonardo Astrada Técnico: Muricy Ramalho
Gols: Zé Eduardo, aos dois minutos, Barreto (contra), aos 27, César Benítez, aos 31, e Neymar, aos 46 minutos do primeiro tempo. Juan Lucero, aos 15 minutos, e Fabbro, aos 36 minutos do segundo tempo.
Cartões amarelos: Iturbe, Uglessich (Cerro); Alex Sandro, Jonathan, Elano, Rafael e Edu Dracena (Santos)
Vermelho: Edu Dracena
Local: Estádio , General Pablo
Rojas em Assunção (PAR). Data: 1/6/2011. Árbitro: Wilmar Roldán (COL). Auxiliares: Abrahan González e Eduardo Diaz (COL).


Fonte: Globoesporte.com